Romário, o “Baixinho” da Política, em Nova Virada: De Apoio a Bolsonaro a Possível Aliança com Lula.
O senador Romário, conhecido por sua irreverência dentro e fora dos gramados, está mais uma vez no centro das atenções políticas. Após anunciar sua saída do Partido Liberal (PL), sigla na qual esteve filiado desde abril de 2021, o ex-jogador de futebol não descarta a possibilidade de apoiar Luiz Inácio Lula da Silva na próxima eleição presidencial. Essa reviravolta surge em meio a um cenário de divergências acumuladas com o PL e a família Bolsonaro.
A decisão de deixar o PL, oficializada no último dia 14, coincide com o apoio de Romário a Eduardo Paes (PSD) na disputa pelo governo do Rio de Janeiro. Curiosamente, o principal adversário de Paes nesta eleição é justamente o candidato do PL, Douglas Ruas. A movimentação política do senador, que se declara agora sem partido, levanta questionamentos sobre suas futuras alianças nacionais.
Apesar de ter sido um defensor ferrenho da reeleição de Jair Bolsonaro em 2022 e ter feito críticas ao então candidato Lula, Romário agora adota uma postura mais flexível. Em resposta à Gazeta do Povo, o senador afirmou, por meio de sua assessoria, que “ainda não definiu como é que vai ser o apoio nacional, não sabe como vai ser, porque a prioridade é a eleição estadual”. A assessoria também esclareceu que, embora já tenha declarado voto em Flávio Bolsonaro, o apoio durante a campanha presidencial ainda não está definido. Essas informações foram divulgadas pela fonte.
Divergências com o PL e a Família Bolsonaro
As discordâncias entre Romário e as decisões tomadas por Jair Bolsonaro e pelo PL vêm se acumulando ao longo dos anos. Em 2022, durante a campanha pela reeleição de Bolsonaro, o senador não teve seu apoio correspondido na disputa pelo Senado no Rio de Janeiro. O então presidente optou por apoiar Daniel Silveira (PTB), que, mesmo com sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral, foi o escolhido por Bolsonaro. Na ocasião, Romário foi eleito senador com 2.384.331 votos, enquanto Silveira obteve 1.566.352 votos, que foram anulados.
Outro ponto de atrito ocorreu em 2023, quando Romário votou contra uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visava limitar os poderes dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), uma medida defendida pela família Bolsonaro. Além disso, em 2024, o senador apoiou Eduardo Paes para prefeito do Rio e Rodrigo Neves para prefeito de Niterói, em detrimento dos candidatos do PL, Alexandre Ramagem e Carlos Jordy, respectivamente. Apesar dessas divergências, Romário não sofreu retaliações do partido.
Histórico de Mudanças Partidárias e Apoios Inesperados
A trajetória política de Romário é marcada por uma série de trocas de partido e alinhamentos ideológicos variados. Ele iniciou sua carreira política no então PPB (posteriormente PP), passou pelo PSB, onde foi eleito deputado federal em 2010 com 146.859 votos, e depois pelo Podemos. Em 2014, disputou uma vaga no Senado pela coligação que incluía o PT, PV e PCdoB, sendo eleito com 4.683.963 votos.
Em 2016, cogitou ser candidato a prefeito do Rio, mas acabou apoiando Marcelo Crivella. Em 2018, disputou o governo do Rio pelo Podemos, mas perdeu a eleição. Em 2021, filiou-se ao PL, partido que deixou recentemente. Essa constante mudança de filiações demonstra uma estratégia de se adaptar às circunstâncias políticas e buscar relevância em diferentes cenários.
Interesses Futuros e a “Marra” do Baixinho
A saída do PL pode ser vista como uma antecipação a futuras disputas eleitorais. Caso Flávio Bolsonaro não seja eleito presidente em 2026, há a possibilidade de ele disputar novamente uma vaga no Senado em 2030, o que criaria uma concorrência direta com Romário. Ao se desvincular do partido, o senador se posiciona para possíveis cenários eleitorais futuros sem as amarras partidárias atuais.
O senador também tem se posicionado a favor de pautas alinhadas ao governo Lula, como o fim da escala de trabalho 6×1, proposta popular do atual governo. Essa postura, aliada à sua saída do PL, reforça a ideia de que Romário busca manter sua autonomia e relevância política, adaptando-se conforme as oportunidades e os interesses de seu estado e de sua carreira.
Vale lembrar que, em maio, Romário recebeu elogios de Lula, que o descreveu como “um gênio” e ressaltou gostar dele pela sua irreverência e pela sua trajetória como jogador. Esses elogios, em conjunto com a atual flexibilidade do senador em relação a apoios presidenciais, indicam um possível realinhamento político, apesar de seu histórico de apoio a Jair Bolsonaro.