Vice-presidente dos EUA confronta Israel e critica reações ao acordo com o Irã
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, dirigiu críticas contundentes a autoridades israelenses nesta quinta-feira (18), após reações negativas de membros do governo de Benjamin Netanyahu ao acordo recém-firmado entre Washington e Teerã. O pacto visa encerrar a guerra com o Irã e tem gerado divergências significativas.
Vance expressou desaprovação à forma como alguns ministros israelenses reagiram ao memorando de entendimento assinado pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian. Segundo o vice-presidente americano, houve desconfiança e ataques pessoais ao presidente dos Estados Unidos por parte de setores do governo Netanyahu.
“Donald J. Trump é o único chefe de Estado em todo o mundo que é simpático à nação de Israel neste momento”, declarou Vance, em um claro recado aos críticos. “Se eu estivesse no gabinete do governo israelense, talvez não atacasse o único aliado poderoso que ainda tenho em qualquer lugar do mundo”, acrescentou, ressaltando a importância da aliança bilateral.
Críticas miram ala conservadora do governo Netanyahu
A crítica de Vance teve como alvo principal ministros da ala mais conservadora do governo israelense, como Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir. Estes defenderam que Israel ignorasse os termos do acordo com o Irã, classificando o pacto como uma ameaça à segurança israelense, conforme noticiado pelo jornal Times of Israel.
Dependência militar de Israel sob os holofotes
Durante a coletiva de imprensa, Vance fez questão de destacar a **dependência militar de Israel em relação aos Estados Unidos**. Ele informou que dois terços das armas que protegeram Israel nos últimos três meses foram produzidas por americanos e custeadas por contribuintes dos EUA, um dado relevante para o contexto das negociações.
“O problema de Israel não é Donald J. Trump”, afirmou Vance com veemência. “Qualquer pessoa em Israel que pense que seu maior problema é o presidente dos Estados Unidos precisa acordar e encarar a realidade da situação em que esse país está”, disse, buscando realinhar o foco das preocupações israelenses.
Em entrevista ao The New York Times, Vance também descreveu a reação de Israel ao acordo com o Irã como “um pouco estranha”. Ele sugeriu que parte do sistema político israelense estaria reagindo com base em “informações distorcidas” sobre o pacto, indicando uma possível falta de compreensão dos termos.
Israel é alertado sobre a necessidade de buscar soluções além da força
Ao responder aos ministros israelenses contrários ao acordo, Vance enfatizou que Israel não pode resolver todos os seus problemas de segurança nacional apenas pela força. “Vocês são um país de nove milhões de pessoas. Não podem simplesmente matar para resolver todos os problemas de segurança nacional que têm”, alertou o vice americano, sugerindo a necessidade de abordagens diplomáticas.
O memorando de entendimento, assinado dois dias antes do previsto, concede ao Irã alívio econômico em larga escala em troca da diluição de parte de seu urânio enriquecido. A discussão sobre o programa nuclear iraniano e outros pontos centrais foi adiada para um período de negociação de 60 dias, iniciado nesta quinta-feira, segundo Vance.
O acordo gerou tensão pois Estados Unidos e Irã passaram a tratar Israel como parte sujeita aos termos do memorando, apesar de o governo israelense não ter participado diretamente das negociações. O primeiro-ministro Netanyahu evitou críticas públicas ao pacto, mas rejeitou a exigência iraniana de retirada das forças israelenses do Líbano.
Vance afirmou que Israel tem o direito de se defender, mas precisa respeitar o processo de paz conduzido por Washington. Sobre o Líbano, ele expressou a esperança de que o Hezbollah não lance foguetes contra Israel, mas também alertou que os israelenses não devem “agir de forma descontrolada” no país vizinho, buscando um equilíbrio na região.
O presidente Trump declarou que os Estados Unidos esperam um “cessar-fogo completo em todas as frentes”, incluindo Líbano, Hezbollah e Israel. Contudo, uma pesquisa da emissora israelense Channel 12 revelou que 71% dos israelenses não confiam que Trump defenderá os interesses de Israel nas negociações com o Irã, com apenas 13% expressando confiança no presidente americano.