Violência em Estados Chave Ameaça Reeleição de Governadores do PT e PSD: Nordeste em Alerta

Violência em Estados Chave Ameaça Reeleição de Governadores do PT e PSD: Nordeste em Alerta

Resumo

Segurança Pública: O Calcanhar de Aquiles para Governadores em Estados Mais Violentos do Brasil

Três dos cinco estados com as maiores taxas de homicídio no Brasil compartilham um desafio comum: a segurança pública. Governadores do PT e do PSD, que buscam a reeleição na Bahia, Pernambuco e Ceará, enfrentam a forte oposição impulsionada pelo medo da violência e pela expansão do crime organizado.

Dados do Atlas da Violência de 2026, divulgado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, colocam o Nordeste como epicentro da criminalidade. Bahia (40,9), Pernambuco (37,3) e Ceará (34,3) figuram entre os estados com as maiores taxas de homicídio por 100 mil habitantes, atrás apenas do Amapá (45,7) e de Alagoas (35,9).

Esse cenário de insegurança tem gerado desgaste para os governantes incumbentes. Pesquisas recentes indicam cenários eleitorais apertados e ameaças reais de derrota para os atuais chefes do executivo. A dificuldade na pré-campanha reflete a percepção generalizada de que a segurança pública impacta diretamente todos os segmentos do eleitorado. Conforme levantamento da Genial/Quaest e Datafolha, governadores como Jerônimo Rodrigues (PT-BA) e Elmano de Freitas (PT-CE) enfrentam empate técnico ou desvantagem em cenários projetados, enquanto Raquel Lyra (PSD-PE) aparece tecnicamente empatada no primeiro turno, mas com vantagem no segundo turno.

Desgaste Eleitoral e o Avanço da Direita com Discurso de Confronto

A insatisfação com a violência e a crescente atuação do crime organizado no Nordeste parecem estar pavimentando o caminho para mudanças políticas na região. Na Bahia, por exemplo, governadores enfrentam desafios históricos em relação à segurança, com altas taxas de homicídios que persistem por anos, segundo o professor Leandro Piquet Carneiro, especialista em segurança pública da USP.

No Ceará, a oposição, liderada por Ciro Gomes (PSDB-CE), tem capitalizado o sentimento de insegurança. Ciro Gomes construiu uma frente de oposição ao PT com apoio de partidos como o PL e parlamentares ligados à família Bolsonaro, focando em um discurso mais duro contra o crime organizado. Essa estratégia tem se mostrado eficaz em mobilizar eleitores descontentes com a situação atual da segurança pública.

Crime Organizado se Fortalece no Nordeste: Rotas de Drogas e Lavagem de Dinheiro

O Nordeste se tornou um alvo estratégico para grandes facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho. A costa nordestina é vista como uma rota privilegiada para a exportação de drogas para a Europa e como plataforma para lavagem de dinheiro, especialmente no setor imobiliário, com investimentos em resorts, hotéis e condomínios de alto padrão. Essa transformação na atuação do crime organizado não foi acompanhada por uma atualização correspondente nas estruturas de segurança pública da região.

Wagner Mesquita, especialista em segurança pública e ex-secretário de Segurança Pública do Paraná, aponta que a polícia na região ainda é muito local e voltada para demandas comunitárias, necessitando de estruturas mais robustas para combater o crime organizado, como centros de inteligência e equipes especializadas. A mudança na natureza da criminalidade exige uma adaptação nas táticas e nos recursos de enfrentamento.

Falhas Estruturais na Segurança Pública Nordestina e a Comparação com São Paulo

Leandro Piquet Carneiro identifica três falhas estruturais que contribuem para a persistência da violência no Nordeste. A primeira é a concentração de recursos policiais em áreas turísticas e na segurança de autoridades, deixando as periferias desguarnecidas. Em São Paulo, esse problema foi abordado com a redistribuição do efetivo para áreas com maior concentração de homicídios.

O segundo ponto é a baixa capacidade de investigação e elucidação de homicídios. Diferente de São Paulo, que investiu em divisões de homicídios e aumentou suas taxas de elucidação, as Polícias Civis nordestinas ainda precisam desenvolver essa capacidade de forma sistemática. Por fim, a gestão precária do sistema prisional, com déficit de vagas e condições degradantes, funciona como um ambiente propício para o recrutamento de novos membros pelas organizações criminosas.

Na Bahia, a situação é agravada por um regime de trabalho policial de 24 por 72 horas, herdado de uma greve de 2001, que debilita o policiamento ostensivo. Além disso, a polícia baiana acumula um histórico de violência institucional, que remonta ao período do chamado “carlismo”. Essa cultura de “resolver” pela força, sem o devido respeito às regras, abre espaço para flexibilizações indevidas, segundo o especialista.

Em contraponto, São Paulo apresenta a menor taxa de homicídios do país, com 6,6 por 100 mil habitantes. Essa diferença é atribuída a investimentos significativamente maiores em segurança pública e no sistema prisional, além de uma abordagem mais eficaz no combate ao crime. A solução para os estados nordestinos, segundo Carneiro, passa por um maior investimento em segurança pública, sem descuidar de saúde e educação, com apoio federal estruturado. A PEC da Segurança Pública, que busca fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), aguarda análise no Senado, mas governadores de oposição criticam a proposta por considerarem que ela não ataca os problemas centrais e amplia a influência da União sobre os estados.

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