Sem Tereza Cristina, Flávio Bolsonaro busca vice no Republicanos ou aposta em chapa pura do PL
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta um novo cenário para a escolha do candidato a vice-presidente. Com a desistência do PP em compor a chapa, as negociações agora se concentram no partido Republicanos e, em paralelo, a possibilidade de uma chapa formada unicamente por filiados do PL ganha força.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) era vista como a escolha ideal para ampliar o alcance da candidatura de Bolsonaro, especialmente entre o eleitorado feminino, onde pesquisas indicam uma liderança de Lula. A articulação com o PP visava também fortalecer palanques estaduais e a estrutura de campanha.
No entanto, a decisão do Progressistas em manter a neutralidade na disputa presidencial frustrou os planos do PL. Agora, com o prazo para convenções se aproximando, a campanha busca alternativas para garantir uma composição competitiva. As informações são de acordo com reportagem divulgada pela imprensa nesta sexta-feira (31).
Republicanos surge como principal aposta para vice
Diante da neutralidade do PP, o partido Republicanos se tornou a principal alternativa para o PL formar uma coligação. As negociações incluem a possibilidade de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, assumir a vice-presidência.
A estratégia do PL é replicar o sucesso obtido em São Paulo, onde Flávio Bolsonaro conta com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A intenção é formar um “grande time” com pessoas competentes e referências em suas áreas, visando a recuperação do Brasil.
Contudo, as conversas com o Republicanos enfrentam obstáculos. O presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, condiciona o apoio a um acordo em estados estratégicos, como Mato Grosso e Roraima, onde o PL precisaria apoiar candidatos do Republicanos a governadores. A convenção do Republicanos está marcada para a próxima segunda-feira (4), véspera do prazo final.
Chapa pura do PL ganha força com a proximidade do prazo
Caso as negociações com o Republicanos não avancem, o PL cogita seriamente a formação de uma chapa exclusivamente com seus próprios filiados. A avaliação é que o tempo para ampliar alianças é escasso, e a prioridade agora é garantir uma composição sólida.
Nomes como as deputadas federais Júlia Zanatta (SC) e Bia Kicis (DF), e a vereadora Priscila Costa (CE) são considerados. Essas parlamentares possuem identificação com o eleitorado conservador e podem fortalecer a presença feminina na chapa.
Priscila Costa, em particular, é vista como uma opção estratégica por sua proximidade com Michelle Bolsonaro e por sua atuação no PL Mulher no Ceará. A escolha de um nome interno, segundo especialistas, reforça a identidade ideológica da campanha, mas pode limitar a capacidade de atrair novas alianças políticas.
Pesquisas indicam desafios na base feminina
Pesquisa Datafolha divulgada em julho aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as intenções de voto entre as eleitoras, com 50%, contra 40% de Flávio Bolsonaro. Entre os homens, o cenário é mais equilibrado, com 46% para Bolsonaro e 45% para Lula.
Na pesquisa geral, Lula aparece com 48% e Flávio Bolsonaro com 43%. Esses dados reforçam a importância de uma vice que possa atrair o voto feminino, como era o objetivo inicial com Tereza Cristina.
Contexto e prazos da definição da vice
A decisão do PP de manter a neutralidade foi comunicada após consulta aos diretórios estaduais, que mantiveram a posição majoritária. O prazo final para as convenções partidárias, que formalizam as coligações, encerra-se na próxima quarta-feira (5).
Até lá, a campanha de Flávio Bolsonaro trabalha intensamente para definir o nome que o acompanhará na disputa presidencial, buscando uma composição que fortaleça a candidatura em todos os cenários eleitorais.