A Falta que Paulo Francis Faz: Relembrando o Superego das Elites e a Inspiração para Jornalistas

A Falta que Paulo Francis Faz: Relembrando o Superego das Elites e a Inspiração para Jornalistas

Resumo

A Ausência de um Farol Intelectual: Paulo Francis e o Vazio na Mídia Brasileira

Trinta anos se passaram desde o falecimento de Paulo Francis, e sua ausência ainda ecoa no cenário intelectual e jornalístico brasileiro. Ele era visto como uma espécie de superego para as elites e um guia para aqueles que almejavam algo mais profundo. Uma glória, talvez passageira, mas contida por uma santidade intuitiva.

O nome de Paulo Francis, contudo, parece ter se tornado um mistério para muitos jornalistas da atualidade, mesmo para aqueles que ostentam diplomas emoldurados. A sua figura, que marcou épocas, hoje pode soar como uma nota de rodapé na história da comunicação.

Este texto busca revisitar a importância de Paulo Francis, explorando seu legado e a saudade de sua presença crítica e inspiradora, conforme relatado em primeiras fontes.

O Aprendizado nas Páginas da Gazeta do Povo

A admiração por Paulo Francis começou nas páginas da Gazeta do Povo. Aquele jornal, que exigia um contato mais direto e físico para a leitura, foi um palco de aprendizado. Recortar a última página do Caderno G, ler e tentar absorver cada palavra era um ritual.

Mesmo com a compreensão inicial limitada, havia um esforço genuíno para assimilar o conhecimento. Esses recortes, guardados com carinho, acabaram perdidos em uma mudança, mas as lições permaneceram. Com Francis, o contato com bons autores contemporâneos e a apreciação pelo balé se tornaram parte do aprendizado.

Rudimentos de filosofia e política também foram absorvidos, com uma dose de afetação, claro. No entanto, o que se destaca é que, em Paulo Francis, havia um objetivo maior que a mera ostentação cultural. Era uma busca por significado e profundidade.

A Vocação para a Discórdia e a Falta do Superego

Aos 48 anos, é possível confessar: o desejo de me tornar jornalista foi, em parte, motivado pela figura de Paulo Francis. A intenção era provocar, compartilhar impressões e informar sem ser maçante. Uma meta que, confesso, nunca alcancei plenamente, mas sigo tentando.

Alguém, lá por 1998, me alertou, ou ofendeu, que eu não tinha o “cacife” para ser um Paulo Francis. E, de fato, falta a vocação para a discórdia, esse olhar de poeta-sem-soneto. Há também a questão da elite intelectual de hoje, que parece desconhecer o que é um **superego**.

Chegamos a um ponto onde a própria definição de conceitos fundamentais, como o de superego – que não é um personagem de quadrinhos, mas sim uma instância psíquica –, parece perdida. Essa falta de compreensão é um reflexo da superficialidade que permeia o debate atual.

O Escândalo da Vulgaridade e a Saudade de um Crítico

Se Paulo Francis estivesse vivo hoje, certamente se escandalizaria com a **vulgaridade generalizada**. A hipérbole é intencional, pois a constatação parece inescapável. Imagine sua reação diante de debates atuais, como os envolvendo figuras como Alexandre de Moraes!

Ele, que seria rotulado de isento e esteta – e que, de fato, possuía essa qualidade –, faz muita falta. A falta de bons estetas é palpável em um mundo que parece ter perdido a exigência consigo mesmo. Um mundo que sonhava mais, que buscava mais de si.

É possível que Paulo Francis, hoje, se tornasse um comentarista senil ou um cronista irrelevante. Talvez. Mas a nostalgia do intelectual que nos desafia, que nos força a pensar e a exigir mais de nós mesmos, é um sentimento que persiste. É a saudade de um tempo em que a crítica era mais incisiva e a busca por um saber mais profundo, uma constante.

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