STF em ebulição: sugestão de Gilmar Mendes sobre atuação da PF e o embate entre Moraes e Mendonça intensificam a crise institucional, enquanto pesquisas para 2026 e articulações de Lula marcam a semana política.
A semana política brasileira foi marcada por intensos debates e movimentações que refletem um cenário de alta tensão. No Supremo Tribunal Federal (STF), a crise institucional ganhou novos contornos com sugestões que dividem opiniões e embates entre ministros. Paralelamente, a corrida presidencial de 2026 já dita o ritmo das articulações, com pesquisas apontando disputa acirrada e o presidente Lula buscando estreitar laços com o mercado financeiro.
Os bastidores do STF foram palco de discussões acaloradas. O ministro Gilmar Mendes propôs a Fachin o veto à atuação de delegados da Polícia Federal em gabinetes da Corte, gerando críticas e divergências. Ao mesmo tempo, o presidente Edson Fachin defendeu o fim do inquérito das fake news, em um momento de embate com o ministro Alexandre de Moraes. Esses desdobramentos, conforme noticiado pelo Gazeta Agora, evidenciam as complexidades e os desafios enfrentados pela mais alta corte do país.
Em meio a essas turbulências, a política nacional se volta para o futuro. Pesquisas presidenciais para 2026 indicam um cenário competitivo, com diferentes cenários de segundo turno. O presidente Lula, ciente da importância da interlocução com setores econômicos, intensificou suas articulações, promovendo um jantar com banqueiros e empresários. Acompanhe os detalhes desses e outros assuntos que moldaram a semana.
Gilmar Mendes sugere veto a delegados da PF em gabinetes do STF, aumentando a tensão institucional
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, propôs ao presidente da Corte, Edson Fachin, a proibição da atuação de delegados da Polícia Federal (PF) nos gabinetes de ministros. A informação, divulgada pela Folha de S. Paulo e confirmada pelo Gazeta do Povo, visa, segundo a justificativa, evitar que os agentes da PF exerçam influência indevida na condução de investigações. A sugestão, no entanto, já recebeu críticas da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), que contestou a posição do magistrado.
Essa movimentação de Gilmar Mendes adiciona mais um capítulo à crise que envolve o STF. A possibilidade de restrições à atuação da PF dentro da Corte levanta debates sobre a autonomia das investigações e a relação entre as instituições. A divergência de opiniões entre os ministros sobre como lidar com a situação demonstra a profundidade do racha interno.
Fachin defende o fim do inquérito das fake news em meio a embate com Moraes
Em um movimento significativo, o presidente do STF, Edson Fachin, defendeu publicamente o encerramento do inquérito das fake news. Em declarações feitas ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fachin classificou o fim da investigação como uma das três metas “urgentes” de sua gestão, ao lado da adoção de um código de ética e da modernização do sistema de Justiça.
A declaração de Fachin ocorre em um momento de crescente tensão com o ministro Alexandre de Moraes, especialmente após o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. A defesa de Fachin pelo fim do inquérito pode ser interpretada como uma tentativa de desescalar conflitos e focar em outras prioridades institucionais, mesmo que isso gere atritos com outros membros da Corte.
Pesquisas para 2026 revelam disputa acirrada e Lula intensifica diálogo com o mercado
A corrida presidencial de 2026 já é uma realidade no debate político. Duas pesquisas divulgadas nesta semana, AtlasIntel e Nexus/BTG Pactual, apresentaram cenários que indicam uma disputa acirrada. Enquanto a AtlasIntel aponta Lula na liderança e vitória em todos os cenários de segundo turno, a Nexus/BTG Pactual sugere um quadro mais apertado, com empates técnicos em simulações de segundo turno contra adversários como Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado.
Os levantamentos reforçam a percepção de que a eleição presidencial permanece aberta, impulsionando a intensa movimentação política observada nos últimos dias de campanha. Em resposta a esse cenário, o presidente Lula promoveu um jantar com banqueiros e empresários no Palácio da Alvorada. O encontro reuniu representantes de grandes grupos econômicos, como Bradesco, BTG Pactual, Itaú, JBS, Cosan e MRV, em uma clara tentativa de reduzir resistências do mercado financeiro e ampliar pontes com o setor empresarial, em um movimento similar ao que seu principal adversário, Flávio Bolsonaro, também tem buscado.
Caso Moraes e Vorcaro gera nova crise e divergências internas no STF
A crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro escalou e se tornou o tema de maior repercussão política da semana. Uma reportagem revelou detalhes de uma perícia da Polícia Federal que reconstruiu o envio de mensagens entre os dois, mesmo com o uso de mecanismos para dificultar o rastreamento. Segundo a investigação, a PF identificou uma sequência técnica que envolvia a redação de textos em aplicativos de notas, captura de tela e envio por WhatsApp com visualização única, com dezenas de mensagens seguindo o mesmo padrão.
Os desdobramentos dessa investigação levaram ministros do STF a discutir alternativas para gerenciar a crise. Nos bastidores, há divergências significativas entre aqueles que defendem uma apuração formal dos fatos e os que preferem uma solução interna para evitar um desgaste institucional ainda maior. A situação evidencia a fragilidade das relações internas e os desafios para a manutenção da imagem da Corte.