Mapa-Múndi do IBGE de Márcio Pochmann: Inversão Polêmica e Escala Questionável Geram Debate

Mapa-Múndi do IBGE de Márcio Pochmann: Inversão Polêmica e Escala Questionável Geram Debate

Resumo

IBGE lança mapa-múndi invertido com Brasil no centro, gerando polêmica sobre representação da biodiversidade e escala.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou um novo mapa-múndi comemorativo, celebrando seus 90 anos. A principal novidade é a inversão do eixo Norte-Sul, com o Brasil posicionado no centro, uma decisão que o presidente Márcio Pochmann defende como um desafio à “visão eurocêntrica” e um reposicionamento do país no cenário global.

Contudo, a iniciativa, intitulada “Riqueza de Espécies 2025”, tem gerado debates acalorados, especialmente devido à escala utilizada para representar a biodiversidade. A representação simplificada, que vai do “baixo” (vermelho) ao “alto” (verde), sem detalhamento numérico, tem sido o principal alvo de críticas.

A falta de clareza na escala do mapa, segundo a reportagem da Gazeta do Povo, levanta questionamentos sobre a real dimensão da biodiversidade brasileira, que aparece como um grande ponto verde em meio a um cenário predominantemente vermelho. O IBGE justificou a escolha como uma forma de “facilitar a compreensão pelo público geral/leigo”, mas a medida tem sido vista por alguns como uma simplificação excessiva que pode distorcer a realidade.

A Projeção “Equal Earth” e a Busca por uma Representação Descolonizada

A nova projeção cartográfica adotada pelo IBGE é a “Equal Earth”, criada em 2018 com o objetivo de representar os continentes em proporções reais e sem distorções de forma. Segundo o instituto, esta escolha visa oferecer uma visão mais “justa e descolonizada do mundo”, corrigindo o viés eurocêntrico presente em mapas tradicionais e servindo como uma ferramenta educacional mais equilibrada.

A projeção “Equal Earth” busca seguir a curvatura da Terra, apresentando uma representação visualmente mais agradável e realista dos contornos continentais. Essa abordagem inovadora se alinha com o desejo do IBGE de reformular a maneira como o mundo é visto e representado cartograficamente, enfatizando a equivalência das áreas das massas de terra.

Escala Simplificada de Biodiversidade: O Ponto Crítico do Mapa

O cerne da controvérsia reside na escala utilizada para ilustrar a riqueza de espécies. O mapa utiliza uma graduação de cores, do vermelho ao verde, para indicar a densidade de biodiversidade. No entanto, a ausência de dados numéricos claros sobre o que cada cor representa dificulta a compreensão quantitativa.

O IBGE explicou que, em uma das fontes de dados, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o mapa foi dividido em grades de 100 km². Locais com mais de 1,8 mil espécies por célula de 100 km² são representados pelos tons mais intensos de verde, enquanto valores a partir de 1 espécie recebem tons de vermelho. A falta dessa informação explícita no mapa finalizado é o que tem gerado insatisfação.

“Lorem Ipsum” e Resistências Internas no IBGE

Um incidente adicional que chamou a atenção foi a aparição do termo “Lorem ipsum” em uma versão preliminar do mapa divulgada pelo presidente do IBGE, Márcio Pochmann. “Lorem ipsum” é um texto padrão usado na indústria gráfica para testar layouts, indicando que o material ainda não estava finalizado. A assessoria de imprensa do IBGE minimizou o ocorrido, atribuindo-o a um possível erro na geração ou inserção da imagem.

Além disso, a série de mapas com o Brasil ao centro e o eixo Norte-Sul invertido já enfrentou resistência interna no próprio IBGE. Entidades sindicais de servidores manifestaram preocupação em 2025, alegando que o mapa “distorcia a realidade” e classificando a proposta como uma “encenação simbólica” sem respaldo nas convenções cartográficas internacionais, o que poderia prejudicar a credibilidade do órgão.

Tags:

Notícias todos os dias!

De domingo a domingo, as notícias que você não pode perder em seu e-mail.

Veja também