Ex-premiê britânico Boris Johnson critica ações de Javier Milei sobre as Malvinas e exige reforços militares
O ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson expressou nesta sexta-feira (4) preocupação com a recente escalada de tensões envolvendo as Ilhas Malvinas, atribuindo as ações do presidente argentino Javier Milei a objetivos eleitorais para as eleições de 2027.
Johnson também fez um apelo para que o governo britânico reforce a segurança no arquipélago, apesar de não acreditar em um novo conflito armado entre Argentina e Reino Unido.
As declarações surgem após Milei anunciar sanções contra empresas que exploram recursos naturais nas ilhas e o plano de construir uma base naval integrada na Patagônia argentina, área que Buenos Aires considera o arquipélago como parte de seu território. Conforme informação divulgada pelo Daily Mail, essa movimentação foi influenciada por uma declaração do ex-presidente americano Donald Trump, que sugeriu reavaliar a posição dos EUA sobre a disputa territorial.
Milei busca capitalizar com a disputa pelas Malvinas, segundo Boris Johnson
Em sua coluna no jornal Daily Mail, Boris Johnson argumentou que a postura mais assertiva de Javier Milei em relação às Malvinas não é surpreendente, especialmente considerando a declaração de Donald Trump sobre a neutralidade americana na disputa. Johnson relembrou um episódio anterior onde a recusa do líder trabalhista Keir Starmer em ajudar Trump provocou irritação, levando à dúvida sobre o compromisso dos EUA com a soberania britânica sobre as ilhas.
O ex-premiê conservador descreveu Milei como um admirador do Reino Unido e do thatcherismo, mas destacou que o presidente argentino enfrenta uma campanha eleitoral desafiadora. Segundo Johnson, Milei pode estar usando a questão das Malvinas para **inflamar o sentimento nacionalista público**, uma tática tradicional em períodos eleitorais.
Reforços militares e a importância estratégica das ilhas
A disputa pelas Ilhas Malvinas, conhecidas como Falklands pelo Reino Unido, culminou em uma guerra em 1982, vencida pelos britânicos. Atualmente, a Argentina reivindica a soberania das ilhas diplomaticamente, mas a população local rejeita a incorporação. Em um referendo realizado em 2013, **99,8% dos habitantes votaram a favor de manter o status de território ultramarino britânico**.
O foco recente de Milei parece ser o projeto **Sea Lion**, que visa a exploração de uma reserva de petróleo localizada a 220 km ao norte do arquipélago. O projeto, desenvolvido pelas empresas britânica Rockhopper e israelense Navitas, tem previsão de início de extração para 2028.
Governo britânico responde e Johnson exige ação
Em resposta às ações de Milei, um porta-voz do governo britânico afirmou que as forças necessárias para defender a **soberania das ilhas permanecerão lá enquanto os habitantes desejarem**. O porta-voz assegurou que as Forças Armadas britânicas estão em prontidão constante para proteger o Reino Unido e seus interesses.
Boris Johnson, no entanto, instou o atual primeiro-ministro a agir com firmeza. Ele defende que o governo **afirme inequivocamente que as Malvinas são britânicas** e que não tolerará provocações, especialmente em relação aos campos de petróleo de Sea Lion. A exigência é clara: **enviar reforços militares imediatamente** para demonstrar o compromisso prático do Reino Unido com a defesa do arquipélago.
Johnson alertou que subestimar a situação, como o Foreign Office fez em 1982, pode ser um erro grave, apesar de muitos considerarem improvável um novo conflito devido às poucas chances de sucesso para a Argentina.