Ancine concede registro inicial ao filme “Dark Horse”, focado na vida de Jair Bolsonaro, enquanto investigações sobre financiamento ganham destaque.
O filme “Dark Horse”, que documenta a jornada política do ex-presidente Jair Bolsonaro, deu um passo importante ao receber o Registro de Obra Estrangeira (ROE) pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). Este é o primeiro procedimento burocrático necessário para que a obra possa ser exibida comercialmente no Brasil.
A solicitação do registro foi feita pela distribuidora Europa Filmes, conforme apurado pelo site Metrópoles. Por ser tratado como uma produção estrangeira, o longa ainda passará por outras etapas regulatórias antes que uma data oficial de estreia seja definida e divulgada ao público.
A Europa Filmes declarou em nota que “a distribuidora segue conduzindo os trâmites regulatórios, comerciais e operacionais necessários para a definição do cronograma de estreia”. A empresa ressaltou que a data oficial de lançamento será anunciada oportunamente, após a conclusão de todas as exigências legais.
Próximos passos para a exibição de “Dark Horse”
O próximo passo crucial para o filme é a solicitação do Certificado de Registro de Título (CRT), documento que oficializa o registro da obra na Ancine. Somente após a emissão deste certificado será possível dar entrada no pedido de classificação indicativa junto ao Ministério da Justiça, além de cumprir outras exigências legais para a liberação do lançamento.
Antes mesmo do pedido de registro, o filme “Dark Horse” já havia sido objeto de análises pela Ancine. A agência buscou esclarecer a natureza da produção e o papel da produtora Go Up Entertainment para determinar se o longa deveria ser classificado como uma produção brasileira ou como uma obra estrangeira filmada em território nacional.
Durante esse processo de análise, a produtora Go Up Entertainment precisou apresentar uma série de documentos. Entre eles, estavam contratos, o plano de filmagem detalhado e informações sobre os profissionais estrangeiros que integraram a equipe do projeto. O objetivo era reunir todas as evidências necessárias para a correta classificação da obra, de acordo com a legislação do setor audiovisual brasileiro.
Investigações sobre o financiamento do filme
Paralelamente aos trâmites na Ancine, uma das empresas ligadas ao financiamento do filme, a Entre Investimentos, tornou-se alvo de investigação pela Polícia Civil de São Paulo. Esta empresa foi responsável por repassar recursos do banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme sobre a família Bolsonaro.
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro em favor do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as apurações, a Entre Investimentos teria transferido mais de R$ 26 milhões entre fevereiro e abril de 2025 para uma consultoria de tecnologia que também é investigada por supostos repasses ilegais.
É importante ressaltar que, de acordo com as informações disponíveis, a investigação policial não aponta participação da produção cinematográfica “Dark Horse” ou da família Bolsonaro nos fatos investigados. A apuração foca nas operações financeiras da Entre Investimentos.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou que a Entre Investimentos foi o veículo utilizado por Daniel Vorcaro para enviar os recursos destinados ao financiamento do filme. Por outro lado, o deputado federal Mario Frias (PL-RJ), que é o roteirista do longa, afirmou que Flávio Bolsonaro não possui qualquer participação societária, nem na produção do filme nem na empresa responsável pelo projeto.
Frias explicou que a participação de Flávio Bolsonaro se limitou a autorizar o uso dos direitos de imagem da família Bolsonaro para a realização da obra. Ele também esclareceu que a produtora do filme, Go Up Entertainment, tem uma de suas empresas proprietárias, o Instituto Conhecer Brasil (ICB), sob suspeita de irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado com a prefeitura de São Paulo para o fornecimento de internet wi-fi em bairros da capital.