Colecionador de Selos Revela Saudade de um Tempo Mais Lento e a Nostalgia de Um Olho de Boi Dourado

Colecionador de Selos Revela Saudade de um Tempo Mais Lento e a Nostalgia de Um Olho de Boi Dourado

Resumo

O Homem que Coleciona o Tempo: Selos Postais e a Saudade de um Mundo Perdido

Em um mundo cada vez mais acelerado, a coleção de selos postais de Paulo Polzonoff Jr. emerge como um portal para um tempo mais simples e lento. O jornalista e escritor, autor de um texto emocionante sobre sua coleção, compartilha a experiência de revisitar álbuns repletos de selos acumulados ao longo de quatro décadas.

Cada selo é uma janela para memórias vívidas, evocando a sensação de ser um especialista com pinça e lupa, sentado no carpete da infância. Essas lembranças, descritas como facadas de uma alegria que avinagrou, trazem à tona a inocência, os sonhos e a vasta quantidade de vida que parecia existir pela frente.

A coleção, que conta com três álbuns recheados, é mais do que um hobby, é um reflexo de um mundo que já não existe mais. Selos que celebravam conquistas em tempos de paz e homens admiráveis, inclusive figuras controversas como tiranos, hoje repousam em um apartamento em Curitiba, Paraná.

Um Mundo de Outros Países e Outros Tempos

Polzonoff Jr. descreve um passado onde a geografia era diferente, com países que hoje não existem mais. A honra de estampar um selo era um feito almejado, uma ambição que levava a grandes feitos e malfeitos. A ideia de que toda essa glória se resume a um pequeno retângulo de papel em um álbum guarda uma ironia peculiar.

Ao fechar o último álbum, a vontade de chorar se manifesta. O som de Roberto Carlos ao fundo e o barulho de uma máquina de escrever criam a atmosfera de um tempo que se esvai. As cores do escritório parecem menos nítidas, como uma fotografia antiga tirada com uma Yashica.

O Sonho Dourado do Olho de Boi

O maior sonho do colecionador era possuir um “Olho de Boi”, um objeto que hoje está emoldurado e exposto na entrada de sua casa. Mesmo sem ter certeza de sua autenticidade, ele se apega à crença, resistindo a qualquer dúvida. Ninguém mais o vê, pois ele próprio está ocupado demais com os problemas insolúveis e as expectativas irrealizáveis da vida.

A coleção de selos, portanto, transcende o mero colecionismo. É um ato de preservação do tempo, uma forma de manter viva a memória de um mundo mais lento, mais simples e, talvez, mais genuíno. Cada selo é um fragmento de história, uma lembrança tangível de um passado que inspira e, ao mesmo tempo, entristece.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, e em seus textos para a Gazeta do Povo, explora temas como política, cultura e filosofia, oferecendo reflexões profundas sobre a vida e o tempo.

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