Censura na Venezuela: ONG VEsinFiltro denuncia 177 sites bloqueados, desafiando propaganda chavista de liberdade de expressão

Censura na Venezuela: ONG VEsinFiltro denuncia 177 sites bloqueados, desafiando propaganda chavista de liberdade de expressão

Resumo

ONG VEsinFiltro revela que 177 sites permanecem bloqueados na Venezuela, contrariando discurso oficial de abertura e liberdade de expressão.

A ONG VEsinFiltro, dedicada a monitorar a censura na internet venezuelana, divulgou um relatório alarmante nesta sexta-feira (25). A organização afirma que, contrariando a recente propaganda do governo chavista sobre uma suposta abertura e desbloqueio de sites, um total de **177 domínios continuam inacessíveis** para os usuários no país.

Este número representa uma **falta de cumprimento significativo** da ordem emitida pela vice-presidente, Delcy Rodríguez, que determinou o desbloqueio de sites nacionais e estrangeiros com acesso restrito há anos. A medida anunciada pelo governo coincidiu com o início de um novo ciclo de diálogo entre o chavismo e a oposição, focado na liberdade de expressão, mas os resultados práticos divergem das promessas.

A persistência do bloqueio levanta sérias questões sobre o compromisso do governo venezuelano com a pluralidade de informações e o direito à livre expressão. A VEsinFiltro reforça o apelo para que todos os domínios sejam liberados imediatamente, garantindo o acesso à informação para toda a população.

Mídia independente segue sob censura rigorosa

Dentre os 177 sites que permanecem bloqueados, a VEsinFiltro destaca que **72 são portais de notícias**. Muitos destes veículos são conhecidos por suas coberturas críticas e por apresentarem perspectivas conservadoras ou independentes. Entre os nomes mencionados pela ONG estão o argentino Infobae e o americano The Wall Street Journal, além de importantes mídias venezuelanas.

A organização ressalta que a maioria dos veículos de mídia independentes da Venezuela, como Armando.Info, TalCual, El Nacional e La Patilla, continuam inacessíveis. O bloqueio desses portais dificulta o acesso dos cidadãos a diferentes pontos de vista e a informações que não passam pelo filtro oficial.

Apenas uma pequena parcela de sites foi desbloqueada

Desde o anúncio do governo na semana passada, a VEsinFiltro contabilizou o desbloqueio de apenas **18 domínios**. Este número é irrisório quando comparado ao total de sites que continuam sob restrição. A Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) havia anunciado o cumprimento da ordem de desbloqueio, mas a realidade apontada pela ONG diverge drasticamente da versão oficial.

A pequena quantidade de sites liberados levanta dúvidas sobre a real intenção por trás do anúncio governamental. Especialistas em direitos digitais apontam que a manutenção de tantos portais bloqueados configura uma **violação contínua da liberdade de expressão** e do direito à informação na Venezuela.

Diálogo e liberdade de expressão: promessas versus realidade

O anúncio do desbloqueio coincidiu com o início do segundo ciclo de diálogo entre o chavismo e a oposição, com a liberdade de expressão como um dos temas centrais da pauta. No entanto, a persistência do bloqueio de sites importantes, especialmente aqueles que publicam notícias críticas ao governo, sugere que as discussões podem estar distantes de resultados concretos.

A VEsinFiltro, ao divulgar seus dados, reforça a necessidade de ações efetivas e não apenas de discursos. A organização enfatiza que o **desbloqueio total** é o único caminho para que a Venezuela possa, de fato, avançar em direção a um ambiente de maior liberdade de expressão e acesso à informação para todos os seus cidadãos.

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