Gaeco Investiga Operador Financeiro de Daniel Vorcaro em Esquema de Compra de Distribuidora e Movimentação de R$ 11,6 Bilhões

Gaeco Investiga Operador Financeiro de Daniel Vorcaro em Esquema de Compra de Distribuidora e Movimentação de R$ 11,6 Bilhões

Resumo

Gaeco Desmantela Esquema de Ocultação Financeira Ligado a Daniel Vorcaro

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou a operação “Crédito Oculto”, desdobramento da investigação “Carbono Oculto”. A ação tem como um de seus principais alvos o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, apontado como operador financeiro do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

A investigação aponta para uma estrutura complexa criada para ocultar o controle da Usina Itajobi, localizada em Marapoama (SP). Essa operação envolveu a movimentação de aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre os anos de 2021 e 2025, segundo informações do MPSP. A organização criminosa teria utilizado fintechs e empresas de fachada para dificultar o rastreamento da propriedade e do fluxo financeiro.

As investigações, que contam com a colaboração de diversas instituições como a Receita Federal e a Secretaria da Fazenda, se estendem por múltiplos estados brasileiros. O esquema teria envolvido a aquisição da Usina Itajobi e, posteriormente, a compra da distribuidora de combustíveis Terrana, em uma cadeia de transações financeiras de difícil rastreamento. Conforme divulgado pelo MPSP.

Freixo Júnior e a Rede de Fintechs

Antônio Carlos Freixo Júnior controlava o Grupo Entre, que reunia fintechs como Entrepay, Acqio e Octa. Essas empresas foram posteriormente liquidadas pelo Banco Central. A investigação sugere que Freixo Júnior teria se inserido na estrutura da Usina Itajobi, utilizando suas empresas e fintechs para criar camadas adicionais de ocultação.

A propriedade da usina é atribuída a Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”. Ambos são apontados na operação “Carbono Oculto” como figuras centrais em um esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis.

Banco Genial e a Transferência Milionária

Parte da estrutura investigada passou por operações envolvendo o Banco Genial. Entre os alvos de busca e apreensão estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo da instituição, e seus irmãos André e Bruno Tupinambá. A investigação identificou uma transferência de R$ 100 milhões à Usina Itajobi, que teria transitado em poucos minutos por múltiplas contas gráficas mantidas em fintechs.

O Banco Genial, em nota, esclareceu que Humberto Tupinambá não integra mais a Diretoria desde maio de 2026. A instituição afirmou ter fornecido todas as informações solicitadas ao Gaeco-SP e que atuou dentro das atribuições legais, adotando medidas adicionais de governança e controle após o conhecimento dos fatos.

Interesses de Vorcaro no Setor Sucroalcooleiro

As investigações também revelaram o interesse de Daniel Vorcaro no setor sucroalcooleiro, com tentativas de influenciar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em ações judiciais. Em uma mensagem interceptada, Vorcaro expressa urgência em obter ajuda relacionada a um caso que afetava seus precatórios no STF, mencionando o ministro Gilmar Mendes.

O caso envolvia um julgamento sobre a responsabilidade da União por prejuízos causados pela política de fixação de preços no setor sucroalcooleiro nas décadas de 80 e 90. A Advocacia-Geral da União (AGU) estima o impacto total das ações em cerca de R$ 145 bilhões. O Supremo definiu que a indenização só seria devida caso houvesse comprovação de prejuízo econômico por perícia técnica.

Posições dos Citados

Em nota, o Banco Genial informou que Humberto Tupinambá não faz mais parte da diretoria e que a instituição colaborou com as autoridades. A Gazeta do Povo contatou diversas partes citadas, como a Terrana e a Usina Itajobi, além das defesas de alguns dos investigados, mas não obteve contato com todos. O espaço permanece aberto para manifestações.

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