Ex-presidente da Colômbia, Gustavo Petro, levanta preocupações sobre influência estrangeira em processos eleitorais, mirando o Brasil.
O ex-presidente da Colômbia, Gustavo Petro, aliado político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez alegações sérias nesta quarta-feira (2) sobre a possibilidade de interferência em eleições no Brasil. Petro sugeriu que **algoritmos dos Estados Unidos** e o que ele denominou de **”tecnofascismo”** poderiam influenciar o pleito de outubro.
As declarações foram feitas durante uma aula magna na Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), em sua primeira viagem internacional após deixar o cargo. Petro, que governou a Colômbia entre 2022 e 2026, reiterou argumentos já apresentados sobre a sua própria derrota eleitoral em junho, atribuindo-a a uma suposta interferência externa.
Segundo informações da agência EFE, o ex-mandatário esquerdista afirmou que um sistema de **2 milhões de bots** esteve sob a mira do Departamento de Estado dos EUA, comandado por Marco Rubio, para apoiar seu oponente, Abelardo de la Espriella. Petro também incluiu na sua alegação a recente vitória de Keiko Fujimori no Peru e a de José Antonio Kast no Chile. O Departamento de Estado dos EUA ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações.
“O sistema que se quer expandir”: Petro aponta para os EUA
Durante sua conferência, Gustavo Petro enfatizou que o que ele percebe como um sistema de manipulação digital não é um caso isolado. Ele declarou que **”o sistema que se quer expandir, e não está certo”**, e que o México corre perigo, assim como o Brasil. Petro associou esses métodos a uma suposta legitimação por parte da **”classe política que está dirigindo atualmente os Estados Unidos”**, sem, contudo, apresentar provas concretas que sustentem suas alegações.
Trump e a “gratidão” pela presidência de Espriella, segundo Petro
O ex-presidente colombiano citou ainda declarações que atribuiu ao ex-presidente americano Donald Trump. Segundo Petro, Trump teria dito publicamente que seu adversário na Colômbia, Abelardo de la Espriella (apelidado de “Tigre”), deveria agradecer a ele por ter se tornado presidente. Essa afirmação, se verdadeira, reforçaria a tese de Petro sobre **interferência externa em processos eleitorais**.
“Tecnofascismo” e o futuro das democracias
A preocupação de Gustavo Petro com o **”tecnofascismo”** reflete um receio crescente sobre o uso de tecnologias e algoritmos para influenciar a opinião pública e os resultados eleitorais. A alegação de que algoritmos de países como os Estados Unidos poderiam ser usados para manipular eleições no Brasil e em outros países da América Latina, como o México, levanta um debate importante sobre a segurança e a soberania digital em processos democráticos.
Ausência de provas e o silêncio oficial
É crucial notar que, até o momento, Gustavo Petro **não apresentou provas concretas** para fundamentar suas alegações de interferência algorítmica e “tecnofascismo” nas eleições. O Departamento de Estado dos Estados Unidos também não emitiu pronunciamento oficial a respeito das acusações. A ausência de evidências tangíveis torna as declarações do ex-presidente colombiano mais um alerta do que uma confirmação de fatos, mas levantam um ponto de atenção para o cenário político e eleitoral.