Iván Cepeda, figura central na política colombiana, é alvo de acusações de ligações com as Farc por parte da oposição.
O senador Iván Cepeda, de 63 anos, emerge como uma figura proeminente na corrida eleitoral colombiana, sendo o candidato escolhido pelo atual presidente Gustavo Petro. Com o primeiro turno das eleições se aproximando, Cepeda, filiado ao partido de esquerda Pacto Histórico, tem se destacado nas pesquisas de intenção de voto, superando adversários como Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia.
Sua trajetória política é marcada por uma profunda conexão com a história recente da Colômbia, incluindo a violência política que vitimou seu pai, o ex-senador Manuel Cepeda, em 1994. A formação de Cepeda inclui estudos em filosofia e passagens por organizações como o Partido Comunista Colombiano e a Aliança Democrática M-19, esta última com origem no grupo guerrilheiro M-19, do qual Petro também fez parte.
Antes de se dedicar integralmente à política, onde atua como deputado nacional e senador há mais de uma década, Cepeda foi professor universitário e um reconhecido ativista de direitos humanos. Sua experiência inclui participação em negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN). Conforme informação divulgada pelas fontes, Cepeda tem como principal opositor o ex-presidente Álvaro Uribe, com quem troca acusações mútuas de violações de direitos humanos e ligações com grupos armados.
A controvérsia sobre os supostos vínculos com as Farc
As acusações de ligações com as Farc contra Iván Cepeda foram intensificadas por seu principal adversário político, o ex-presidente Álvaro Uribe. Uribe alega que o senador esquerdista possuiria vínculos com as Farc e suas dissidências. Para sustentar essa tese, Uribe apresentou em 2020 um e-mail que, segundo ele, teria sido extraído de computadores de Raúl Reyes, um ex-integrante do grupo guerrilheiro, onde Cepeda seria mencionado como “aliado”.
Em sua defesa, Cepeda refutou as acusações, afirmando que o conteúdo dos computadores de Reyes não foi validado pela Justiça colombiana e que as mensagens poderiam ter sido adulteradas por funcionários do governo Uribe, alguns deles condenados por escutas telefônicas ilegais. Essa troca de acusações entre Cepeda e Uribe é uma constante no cenário político colombiano.
Paloma Valencia reitera as acusações
A senadora Paloma Valencia, candidata do partido de Uribe, o Centro Democrático, também tem reiterado as acusações contra Iván Cepeda. Valencia chegou a afirmar que Cepeda foi visto conversando com ex-líderes das Farc, como Jesús Santrich. “Essa é a campanha da extrema esquerda, a esquerda que persegue o presidente Álvaro Uribe e os líderes de outros partidos, a esquerda que protegeu a Segunda Marquetalia [dissidência das Farc]”, declarou Valencia, segundo informações do site Infobae.
Valencia acrescentou, ainda conforme o Infobae, que “Lembro-me de Iván Cepeda procurando Jesús Santrich na prisão, inventando a teoria de [que foi vítima de] uma armadilha. Deixaram esses dois bandidos saírem livres; eles deveriam estar em prisões nos Estados Unidos”.
Cepeda promete ações legais contra acusações
Diante das contínuas acusações, Iván Cepeda anunciou que pretende processar todos aqueles que o acusarem de ter ligações com as Farc. “Não responderei com insultos ou impropérios, mas acredito ser necessário defender minha honra quando isso [ser acusado] acontecer”, afirmou o senador, demonstrando sua determinação em proteger sua imagem pública e trajetória política.