Lula ataca Trump em artigo no Washington Post após barrar inspetores de urnas: "Ninguém vai nos derrotar com mentiras"

Lula ataca Trump em artigo no Washington Post após barrar inspetores de urnas: “Ninguém vai nos derrotar com mentiras”

Resumo

Lula critica Trump e defende soberania brasileira em artigo no Washington Post após vetar inspetores americanos em urnas.

Pouco mais de um dia após o governo brasileiro negar vistos a dois funcionários dos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um artigo no Washington Post. No texto, Lula teceu fortes críticas ao ex-presidente Donald Trump, focando em questões comerciais e divergências geopolíticas.

Apesar de o próprio Washington Post ter revelado que a missão dos funcionários americanos visava investigar o sistema eletrônico de votação brasileiro, o artigo de Lula não abordou diretamente o caso dos vistos. O presidente preferiu concentrar suas críticas nas recentes imposições de tarifas comerciais e em outras divergências diplomáticas entre os dois países.

O artigo, publicado no dia seguinte à entrada em vigor de novas tarifas sobre importações brasileiras, expressa a visão do governo brasileiro sobre as ações americanas. Conforme informações divulgadas, Lula classificou as novas taxas como um “erro estratégico” que prejudicaria tanto a economia dos EUA quanto a parceria bilateral. A declaração foi feita em meio a um contexto de tensões comerciais e debates sobre a soberania nacional. Conforme informações divulgadas pelo Washington Post, o artigo de Lula defende a soberania brasileira.

Tarifas americanas são “erro estratégico”, afirma Lula

O presidente Lula criticou veementemente a imposição de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos, que entraram em vigor recentemente. Uma taxa de 25% sobre importações foi aplicada no dia 22 de julho, seguida por uma sobretaxa adicional de 12,5% no dia seguinte. Lula destacou que essas medidas colocam Brasil e Turquia entre os países mais tarifados pelos EUA, com exceção da China.

Ele ressaltou que essa política comercial ocorre mesmo diante de um superávit comercial bilateral dos EUA com o Brasil, que totalizou US$ 428 bilhões ao longo de 15 anos consecutivos. Segundo o presidente, tais ações geram distorções nas cadeias globais de suprimentos, tornando produtos essenciais mais caros para os consumidores americanos.

“Além de injustas, as novas tarifas representam um erro estratégico: prejudicarão a economia dos EUA e a parceria entre os Estados Unidos e o Brasil. Diversos setores industriais americanos dependem de insumos brasileiros. Alimentos, calçados, têxteis, móveis, autopeças e muitos outros produtos ficarão mais caros para os consumidores americanos”, argumentou Lula no artigo.

“Ninguém vai nos derrotar com mentiras”, alfineta Lula

Lula relembrou a primeira imposição de tarifas, ocorrida no ano passado, de 50%. Ele sugeriu que motivos de divergência político-ideológica estariam por trás dessa medida, citando a justificativa que mencionava o ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula classificou a tentativa de impor restrições ideológicas à parceria bilateral como uma estratégia que não prevalecerá.

O presidente fez uma provocação direta, que serviu como título do seu artigo: “Ninguém vai nos derrotar com mentiras”. Essa frase foi interpretada como uma alfinetada a Marco Rubio, secretário de Estado do governo Trump. Lula enfatizou que nunca antes um secretário de Estado americano declarou que o Brasil não é amigo dos Estados Unidos.

“As tentativas de impor restrições ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não irão prevalecer. Nunca antes um secretário de Estado dos EUA declarou que o Brasil não é amigo dos Estados Unidos. Ninguém nos derrotará com mentiras”, escreveu Lula.

Combate ao crime organizado e defesa da soberania

No artigo, Lula também defendeu que a cooperação em iniciativas de investimento, comércio e combate ao crime organizado é o caminho para superar os desafios do continente americano. Ele classificou essa cooperação como uma prioridade indispensável para o hemisfério.

“Para o Brasil, a única guerra que precisamos travar nesta parte do mundo é a guerra contra a fome, a pobreza e a desigualdade. E as únicas armas que devemos usar são o investimento, a transferência de tecnologia e o comércio justo e equilibrado”, declarou o presidente.

Essa menção é uma clara referência à decisão do governo de Donald Trump de classificar as maiores facções do narcotráfico brasileiro como organizações terroristas estrangeiras. Lula criticou essa classificação, argumentando que tais grupos buscam lucro financeiro, não mudanças políticas. Críticos chegaram a apontar a classificação como uma “ameaça à soberania” e um risco de “intervenção militar” no país.

Diálogo aberto e parceria, mas sem interferência

O chefe do Executivo brasileiro defendeu que a América Latina necessita de parceiros comerciais, e não de demonstrações de força militar ou medidas protecionistas. Embora tenha evitado discutir diretamente a polêmica dos vistos e a suposta “missão eleitoral” detalhada pelo Washington Post, Lula encerrou o artigo com uma mensagem que parece se conectar ao caso.

“Estamos prontos para continuar o diálogo aberto e construtivo, como exige a relação entre dois países como o Brasil e os Estados Unidos. Mas o destino do Brasil cabe somente aos brasileiros determinarem — sem interferência estrangeira ou subserviência”, concluiu o presidente.

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