Marco Aurélio Mello expressa profundo arrependimento por ter apoiado a indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração surge em meio a revelações sobre trocas de mensagens entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master.
Em entrevista à CNN Brasil, o ministro aposentado foi enfático ao expressar seu descontentamento. “Se arrependimento matasse, eu não estaria aqui hoje conversando com vocês”, afirmou Marco Aurélio Mello, demonstrando a gravidade de sua posição.
O ex-ministro relembrou que deu seu aval para a ascensão de Moraes ao STF em 2017, após a trágica morte do ministro Teori Zavascki em um acidente aéreo. Na época, Marco Aurélio Mello elogiou o então ministro da Justiça, destacando sua experiência como professor universitário, membro do Ministério Público e secretário em cargos públicos importantes.
No entanto, a percepção de Marco Aurélio Mello sobre o desempenho de Alexandre de Moraes mudou drasticamente. “Os fatos que vieram à baila são seríssimos”, declarou, referindo-se às mensagens divulgadas. Ele avalia que o ministro “vem errando a mão e isso é muito ruim”, indicando uma preocupação com os rumos tomados na Suprema Corte.
Mendonça agiu corretamente, segundo Marco Aurélio
Marco Aurélio Mello também comentou a atuação do ministro André Mendonça nos inquéritos que investigam a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Para o ex-ministro, Mendonça “procedeu como deveria proceder” ao lidar com o relatório da Polícia Federal.
As mensagens, que constam em um relatório da Polícia Federal cujo sigilo foi derrubado por Mendonça, levaram a acusações de Moraes contra o colega, alegando que ele teria agido fora do regimento jurídico. Marco Aurélio Mello contrapõe essa visão, defendendo a transparência.
“Eu penso que está havendo uma inversão de valores”, disse Marco Aurélio. Ele elogiou a iniciativa de Mendonça em encaminhar o relatório da PF à Procuradoria-Geral da República, considerando essa atitude como a correta diante das evidências.
Defesa da transparência e publicidade nos processos
O ministro aposentado defende veementemente que os procedimentos envolvendo Daniel Vorcaro e membros da Corte sejam conduzidos com **publicidade e transparência**. Para ele, a imposição de sigilo nesses casos é prejudicial ao Estado Democrático de Direito.
“A regra é transparência, publicidade, para que a gente saiba o que está acontecendo na administração pública”, enfatizou Marco Aurélio. Ele concluiu sua argumentação afirmando que “o sigilo não se coaduna com os ares democráticos”, reforçando a importância do acesso público às informações para a saúde da democracia brasileira.