STF: Mendonça leva ao plenário caso que envolve Moraes e celular de banqueiro, após embate com colega
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou uma decisão neste domingo (6) que promete agitar os corredores da Corte. Ele liberou para julgamento no plenário do STF um caso complexo que envolve o ministro Alexandre de Moraes e dados obtidos pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
A análise do caso, contudo, não deve ocorrer de imediato. O presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, estabeleceu um prazo para que as partes envolvidas apresentem suas manifestações. A expectativa é que o julgamento aconteça apenas após 14 de setembro, dando tempo para que o caso seja incluído na pauta do plenário.
Essa decisão de Mendonça surge em um momento de alta tensão entre ele e Moraes, após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que detalha informações encontradas no celular de Vorcaro, incluindo contatos e mensagens que mencionam o ministro Alexandre de Moraes. O caso foi levado ao plenário do STF para análise pública e transparente, conforme determinação de Mendonça.
Relatório da PF e a polêmica envolvendo Moraes
A liberação do caso para o plenário do STF ocorre poucos dias após o ministro André Mendonça ter determinado a retirada do sigilo de um relatório de inteligência de 218 páginas produzido pela Polícia Federal. Este documento foi gerado a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, com o objetivo de identificar possíveis integrantes de uma rede de influência e monitoramento atribuída ao banqueiro.
O relatório, entregue a Mendonça em 27 de agosto, compila mensagens, registros de chamadas, arquivos e outros dados. Entre os contatos identificados pela PF, constam autoridades e pessoas ligadas ao poder, incluindo um contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. A análise da PF, realizada em 72 horas, foi ressalvada como não exaustiva, com a possibilidade de citações ou referências indiretas ainda não identificadas.
Confronto direto entre os ministros do STF
A divulgação do relatório desencadeou um confronto direto entre os ministros. Na quinta-feira (3), Alexandre de Moraes pediu a investigação de André Mendonça no inquérito das fake news, alegando suposto abuso de autoridade. Segundo Moraes, Mendonça teria direcionado investigações contra integrantes do STF, incluindo ele próprio e outros ministros.
No dia seguinte, o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, retirou o pedido de investigação contra Mendonça do inquérito das fake news. Fachin determinou que a questão fosse analisada no mesmo procedimento que apura o relatório da Polícia Federal sobre as relações entre Moraes e Vorcaro, concentrando assim as diferentes questões em um único processo.
Limitações do relatório da PF
Um ponto importante destacado pela própria Polícia Federal é que parte das mensagens analisadas foi enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp. Isso significa que, em alguns diálogos, é possível identificar as mensagens enviadas por Vorcaro, mas não o conteúdo das respostas recebidas.
Essa limitação é particularmente relevante nas conversas atribuídas ao contato “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Em determinados trechos, a impossibilidade de reconstruir integralmente os diálogos impede uma análise completa das interações, o que pode influenciar a interpretação dos fatos no julgamento que ocorrerá no plenário do STF.