Michelle Bachelet desiste de liderança na ONU: o que o resultado significa para Lula e a esquerda?

Michelle Bachelet desiste de liderança na ONU: o que o resultado significa para Lula e a esquerda?

Resumo

Michelle Bachelet, aliada de Lula, encerra disputa pela liderança da ONU após votação desfavorável

A ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, anunciou neste sábado (19) sua desistência da candidatura ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Bachelet, filiada ao Partido Socialista do Chile, contava com o apoio explícito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Bachelet expressou que não se arrepende de ter aceitado o desafio e fez um agradecimento especial ao presidente Lula e à presidente do México, Claudia Sheinbaum, por terem apoiado sua candidatura desde o início com generosidade e convicção.

A decisão ocorre após uma votação informal no Conselho de Segurança da ONU, realizada na sexta-feira (18), onde Bachelet obteve apenas um voto a favor, 11 contra e três abstenções. Conforme informações divulgadas, este resultado representa uma queda significativa em relação à votação anterior, em 21 de agosto, quando a ex-presidente chilena havia recebido dois votos favoráveis.

Queda acentuada e resultado desfavorável na votação da ONU

A simulação de sexta-feira contou com oito candidatos à sucessão de António Guterres. A liderança na votação ficou com Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica, que obteve nove votos a favor, cinco contra e uma abstenção. O desempenho de Bachelet, com apenas um voto positivo, marcou um ponto de inflexão em sua campanha.

Bachelet defende multilateralismo em meio a “ventos fortes contra princípios”

Na legenda do vídeo, Bachelet reconheceu que alguns poderiam considerar que “não era o momento certo” para o tipo de candidatura que ela buscava representar. Ela destacou que, atualmente, sopram “ventos fortes contra princípios como o multilateralismo“, contra o direito internacional, que “vem sendo repetidamente violado”, e contra a realidade das mudanças climáticas, que “alguns continuam negando apesar das evidências científicas”.

A ex-presidente chilena também mencionou a ameaça à democracia e aos direitos humanos. Apesar das dificuldades, Bachelet reafirmou sua convicção de que, mesmo sendo um esforço “íngreme desde o início”, era “exatamente o momento de levantar a voz” em defesa desses princípios fundamentais, que ela orgulhosamente colocou no centro de sua candidatura.

Legado da candidatura: colocar uma mulher latino-americana na agenda global

Michelle Bachelet afirmou que não se arrepende de ter assumido o que chamou de “grande desafio”. Ela ressaltou que a candidatura serviu para colocar na agenda global a importância de que o próximo posto de liderança na ONU fosse ocupado por uma mulher latino-americana. O apoio de figuras como Lula e Sheinbaum foi crucial para impulsionar essa discussão.

O futuro da esquerda e o impacto da desistência de Bachelet

A desistência de Michelle Bachelet pode ter implicações para a esquerda e para as relações diplomáticas do Brasil, especialmente com países alinhados a essa corrente política. O apoio de Lula à candidatura de Bachelet demonstrava um desejo de ver uma liderança com visão progressista no comando da ONU. A perda desse apoio pode gerar reflexões sobre as estratégias futuras para influenciar organismos internacionais.

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