Operação Compliance Zero: Quem são os 20 alvos da PF na investigação contra o Banco Master?

Operação Compliance Zero: Quem são os 20 alvos da PF na investigação contra o Banco Master?

Resumo

Os alvos da Polícia Federal na Operação Compliance Zero contra o Banco Master

A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, desvendou um complexo esquema que envolve a criação de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos fraudulentos pelo Banco Master. A investigação, que já conta com 10 fases, expandiu seu alcance para diversas esferas de poder, incluindo autoridades públicas, agentes políticos, familiares e sócios do banqueiro Daniel Vorcaro, além de executivos do mercado financeiro e operadores financeiros.

O inquérito aponta para a existência de uma suposta estrutura paralela de intimidação e espionagem, utilizada para proteger o esquema e silenciar opositores. Ao longo das diligências, a PF identificou e buscou indivíduos supostamente beneficiados e envolvidos na movimentação e ocultação de recursos, abrangendo tanto o setor público quanto o privado.

Conforme informações divulgadas pela Polícia Federal, os alvos da investigação se estendem por diferentes setores e níveis hierárquicos, revelando a amplitude das atividades investigadas e a complexidade da organização criminosa. Acompanhe os principais nomes e suas supostas participações.

Daniel Vorcaro: O centro da investigação

Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, é apontado como o principal líder da organização investigada. Ele foi preso pela primeira vez, o que levou à liquidação da instituição pelo Banco Central. As acusações contra Vorcaro incluem fraudes financeiras, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro, corrupção e o uso de estruturas paralelas para autoproteção do grupo. Sua defesa afirma que ele sempre esteve à disposição das autoridades e colaborou com as investigações.

Investigação atinge o setor público e o mercado financeiro

A operação mirou figuras importantes do Banco de Brasília (BRB), como o ex-presidente Paulo Henrique Costa, afastado do cargo e investigado por incentivar e facilitar operações fraudulentas com o Banco Master, incluindo a aquisição de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito sem lastro. O BRB, em nota, declarou que sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência.

Executivos e ex-dirigentes do Banco Central também foram alvos. Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio de Souza Neves, ex-diretor de Fiscalização, foram alvo de busca e apreensão. A PF investiga se houve favorecimento regulatório e orientação privilegiada sobre fiscalização bancária.

O empresário Nelson Tanure, apontado como sócio oculto de Vorcaro no Master, também foi alvo de busca e apreensão, mas sua defesa negou qualquer relação societária com o banco.

Estrutura de intimidação e espionagem sob escrutínio

A investigação revelou a existência de um grupo denominado “A Turma”, supostamente responsável por intimidar e coagir desafetos de Daniel Vorcaro. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, foi preso e apontado como coordenador operacional dessa “milícia privada”. Ele teria realizado monitoramento, obtenção de dados sigilosos e vigilância de adversários de Vorcaro. “Sicário” faleceu na prisão, e sua defesa contestou as circunstâncias.

Marilson Silva, policial federal aposentado, e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e pastor, também foram presos e ligados a esse grupo. Silva teria auxiliado na obtenção de dados sigilosos e intimidação, enquanto Zettel é apontado como operador financeiro e integrante de “A Turma”. Ambos, segundo suas defesas, estão à disposição das autoridades.

Envolvimento político e possíveis benefícios

A operação alcançou figuras políticas proeminentes. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo de busca e apreensão, sob suspeita de atuar no Congresso em pautas de interesse de Vorcaro, como a “Emenda Master”, em troca de vantagens financeiras. O senador atribuiu as acusações a interesses político-eleitorais.

O senador Jaques Wagner (PT-BA) também foi alvo de mandados de busca e apreensão, suspeito de atuar em favor de interesses políticos de Vorcaro no Congresso, como a “Emenda Master” e mudanças em leis de empréstimos consignados, em troca de vantagens como um apartamento milionário e viagens. Wagner declarou que interesses político-eleitorais estariam por trás da ação da PF.

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), foi alvo de busca e apreensão, investigado por supostamente influenciar o investimento de R$ 3,6 bilhões da Rioprevidência em aplicações de risco do Banco Master. Sua defesa afirmou não haver envolvimento direto dele com a autarquia.

Novas fases e desdobramentos

Em fases posteriores, a investigação focou em desvios de informação dentro da própria Polícia Federal. A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva foi afastada de suas funções por supostamente acessar indevidamente inquéritos e fornecer informações sigilosas. Um agente policial lotado em Rondônia também foi afastado sob suspeita de repassar informações sigilosas da investigação.

Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro e apontado como operador financeiro do esquema, foi preso temporariamente. Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, foi preso por supostamente comandar o grupo “A Turma” após a prisão do filho, sendo investigado por ocultação patrimonial.

A 10ª fase da operação teve como alvo o publicitário Thiago Miranda, acusado de articular a “Operação DV”, que visava atacar a credibilidade de instituições e investigar jornalistas e concorrentes. Sua defesa negou todas as acusações.

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