PF investiga esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado a políticos do RJ
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (7) a sexta fase da Operação Unha e Carne, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro para lavar dinheiro. As investigações apontam que o grupo teria movimentado a impressionante quantia de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Segundo a corporação, o esquema criminoso contaria com a participação de diversos agentes públicos. A operação cumpre 19 mandados de busca e apreensão em cidades como Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. Medidas de sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados, também fazem parte das ações.
De acordo com a Polícia Federal, o valor de R$ 7,6 bilhões movimentados nos últimos seis anos foi confirmado por um Relatório de Inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), enviado à PF. A nova fase da operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela PF para combater organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, seguindo diretrizes do Supremo Tribunal Federal.
Alvos da Operação Incluem Ex-Prefeito e Delegado
Entre os alvos desta fase da investigação, a reportagem apurou que estão o ex-prefeito de Belford Roxo, Mário Canella (União-RJ), que atualmente é pré-candidato ao Senado, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. Outros agentes da ativa da corporação também são mencionados nas investigações.
A reportagem busca contato com as defesas dos citados para que possam se manifestar sobre as acusações. O espaço permanece aberto para quaisquer declarações.
Operação Unha e Carne Já Teve Outras Fases Relevantes
A Operação Unha e Carne tem se desdobrado em diversas fases, com alvos de grande repercussão. Na semana passada, a quinta fase mirou o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar (União-RJ), o pastor Marcio Poncio, o ex-deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, e o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como “Adilsinho”.
As investigações anteriores apontaram ligações desses indivíduos com o Comando Vermelho. Rodrigo Bacellar está preso desde março, sob suspeita de vazar informações sigilosas de operações policiais para a facção criminosa.
Quarta Fase Resultou na Prisão de Deputado Estadual
Em maio, a quarta fase da operação resultou na prisão do deputado estadual Thiago Rangel. Ele é investigado por suposta participação em um esquema de fraudes envolvendo a contratação de materiais, serviços e obras de reforma ligados à Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro.
Na ocasião, a Polícia Federal informou ter encontrado mensagens com referências a atos violentos no celular do parlamentar. A investigação também reuniu conversas interceptadas, com autorização judicial, entre Thiago Rangel e outros investigados apontados como integrantes do suposto esquema de desvios.
Crimes Investigados e Possíveis Consequências
Além da suspeita de integrar organização criminosa, os investigados nesta nova fase poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro. Outros crimes podem ser incluídos no decorrer do avanço das investigações, conforme a apuração detalhada dos fatos.