Desfile de 7 de Setembro reúne Lula, Fachin, Alcolumbre e Hugo Motta em Brasília
A Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi palco nesta segunda-feira (7) do tradicional desfile de 7 de Setembro, marcando os 204 anos da Independência do Brasil. A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da primeira-dama, Janja da Silva, que foram recebidos em carro aberto antes de seguirem para a tribuna de honra.
O evento reuniu representantes dos Três Poderes, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e sua esposa, Lu Alckmin. Ministros do governo federal também prestigiaram a celebração, que neste ano teve como tema oficial a frase “A Força que Une o Brasil”.
A participação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, marcou um retorno do Judiciário ao evento, após a ausência de ministros em 2023, período em que a Corte julgava a ação sobre a tentativa de golpe de Estado que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação é conforme divulgada pelas fontes.
Soberania Nacional em Destaque
A celebração dos 204 anos da Independência do Brasil foi estruturada em três eixos principais, sendo a **soberania nacional** um dos pilares centrais. Essa ênfase se alinha a recentes desdobramentos, como a imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, e também reflete um tema recorrente nos discursos do presidente Lula, especialmente em seu período de campanha pela reeleição.
Em pronunciamento na véspera do feriado, Lula reforçou a importância da autonomia brasileira, criticando indiretamente medidas comerciais de outras potências. Ele declarou: “Precisamos nos manter fortes e altivos, sem baixar a cabeça, para não deixarmos que o Brasil se transforme, novamente, em colônia de outras potências estrangeiras. Não somos, e não seremos colônia de ninguém.”
O presidente associou a soberania à capacidade do país de proteger seus interesses internos, seu território, suas riquezas e seu povo. Além disso, relacionou a independência nacional à criação de oportunidades para a população, afirmando que “Um país soberano é aquele capaz de criar as oportunidades que seu povo precisa para conquistar a própria independência”.
Combate à Violência Contra a Mulher e Copa do Mundo Feminina
Outro eixo fundamental do desfile deste ano foi o **combate à violência contra as mulheres**. O governo apresentou medidas importantes, como a criação do Cadastro Nacional de Agressores e o afastamento do agressor do lar. Essas iniciativas fazem parte do Pacto Brasil, um acordo entre os Três Poderes para enfrentar o feminicídio.
O evento também celebrou a realização da **Copa do Mundo Feminina de 2027**, que terá o Brasil como sede. O torneio, que ocorrerá entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, marcará a primeira vez que a competição será realizada em um país da América do Sul, um marco histórico para o futebol feminino na região.
Cuidados para Evitar Questionamentos Eleitorais
A organização do desfile de 7 de Setembro contou com cuidados jurídicos para evitar questionamentos sobre o uso político do evento, especialmente no ano eleitoral. A Presidência da República submeteu os preparativos à Advocacia-Geral da União (AGU) para mitigar riscos de questionamentos na Justiça Eleitoral.
Houve uma preocupação em evitar o uso de símbolos associados ao Partido dos Trabalhadores (PT), como o número 13 e elementos visuais da identidade partidária, por parte de ministros e aliados do presidente Lula, que disputa a reeleição. A coordenação geral do desfile ficou a cargo da Secretaria-Geral da Presidência, da Secom e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Histórico de Usos Políticos em 7 de Setembro
É importante lembrar que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já analisou casos de uso político das comemorações de 7 de Setembro. Em 2023, o TSE condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por abuso de poder político e econômico durante as celebrações do Bicentenário da Independência em 2022. A decisão também atingiu seu então candidato a vice, Walter Braga Netto, resultando na inelegibilidade de ambos por oito anos, com efeitos até 2030.