Metas de Segurança Pública Atingidas em Plano do Governo Federal Anunciadas Antes da Vigência, Aponta TCU

Resumo

TCU aponta que metas do Plano Nacional de Segurança Pública já foram batidas antes de sua vigência

Um relatório recente do Tribunal de Contas da União (TCU) trouxe à tona uma peculiaridade na gestão do Plano Nacional de Segurança Pública (PNSP). A Unidade de Auditoria Especializada em Defesa Nacional e Segurança Pública (AudDefesa) do TCU identificou que o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) utilizou uma estratégia que pode inflar os resultados do plano. As metas para roubo de veículos e latrocínio, previstas para serem atingidas em 2030, já haviam sido alcançadas anteriormente.

Essa constatação levanta debates sobre a efetividade e a transparência na definição de objetivos para a segurança pública no país. A metodologia questionada pelo TCU sugere que os resultados positivos podem ter sido anunciados antes mesmo de o plano começar a ser efetivamente implementado e avaliado em seu contexto.

O documento, aprovado na sessão do TCU desta quarta-feira (8), detalha as inconsistências encontradas. Conforme informação divulgada pelo TCU, a meta para roubo de veículos, que previa um índice de 150 por 100 mil carros em 2030, já era de 134 em 2020, segundo estatísticas oficiais. Da mesma forma, a taxa nacional de latrocínios, com o objetivo de ficar abaixo de uma morte a cada 50 mil habitantes em 2030, já era verificada em 2023.

Metas alcançadas antes do plano geram necessidade de revisão

Diante das descobertas, o Ministério da Justiça e Segurança Pública tem agora um prazo de seis meses para reformular as metas do PNSP. O TCU exige que essa revisão seja feita com a consulta prévia aos estados e que os novos critérios sejam **técnicos, mensuráveis e com prazos bem definidos**, garantindo maior aderência à realidade de cada ente federativo.

Subfinanciamento federal prejudica adesão dos estados ao plano de segurança

O relatório do TCU também destacou um problema estrutural que afeta a implementação do Plano Nacional de Segurança Pública: o **subfinanciamento federal**. A baixa participação da União nos recursos destinados à segurança pública é um fator que desestimula a adesão dos estados ao plano. Em 2025, por exemplo, a previsão é que menos de 10% dos investimentos na área provenham da esfera federal, evidenciando um desequilíbrio significativo.

Estados se sentem excluídos das discussões e da elaboração do PNSP

A exclusão dos estados não se limita às questões financeiras. Uma pesquisa realizada entre gestores estaduais de segurança pública revelou que a maioria não se sentiu incluída nas discussões sobre o PNSP. Cerca de 75% dos participantes consideraram sua participação **insuficiente**, enquanto 25% a avaliaram como **totalmente insuficiente**. Essa falta de envolvimento, segundo o relatório, gera dificuldades no alinhamento dos planos estaduais ao PNSP, desconsidera a capacidade operacional dos estados e resulta na ausência de metas que reflitam as realidades locais. Além disso, há lacunas em métricas de esforço e temas de interesse específico dos estados, comprometendo a efetividade das ações de segurança pública em todo o território nacional.

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