Eduardo Tagliaferro, ex-perito do TSE e ex-assessor de Alexandre de Moraes, acredita que o caso Rumble x Moraes pode ser crucial para expor o que ele chama de “caráter ditatorial” do ministro e fortalecer a causa de exilados políticos brasileiros.
Em entrevista exclusiva à coluna Entrelinhas, Tagliaferro discorreu sobre os desdobramentos de sua própria situação jurídica e o cenário institucional do Brasil. Ele destacou como o processo movido pela plataforma Rumble contra o ministro Alexandre de Moraes pode servir de palco para a denúncia de violações de direitos humanos e censura.
Segundo o ex-perito, a exposição dessas práticas por meio do caso Rumble reforça a percepção de um regime autoritário e a perseguição direcionada aos que buscam refúgio no exterior. Tagliaferro também comentou sobre a inação do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação a pedidos de prisão contra o próprio Moraes, levantando suspeitas de proteção institucional.
As declarações foram feitas em um contexto de crescentes questionamentos sobre a atuação de Alexandre de Moraes e sobre a imparcialidade de órgãos como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em períodos eleitorais. A análise de Tagliaferro oferece uma perspectiva crítica sobre a conjuntura política e jurídica brasileira atual, conforme divulgado pela coluna Entrelinhas.
Proteção Institucional e o Caso da Defesa de Tagliaferro
Tagliaferro expressou sua convicção de que existe uma **proteção institucional** em torno de Alexandre de Moraes. Ele citou como exemplo um pedido de habeas corpus impetrado por sua defesa em julho de 2025, que, após cair com o ministro André Mendonça, permaneceu sem análise e perdeu o objeto ao se tornar uma ação penal. Essa lentidão, segundo ele, evidencia a dificuldade em obter decisões desfavoráveis a Moraes no STF.
“Tudo o que é pedido no Supremo Tribunal Federal, que vai para Moraes, para a Primeira Turma, ou até mesmo para Fachin, é negado. Então a gente vê claramente uma proteção institucional sobre a administração de Moraes”, afirmou Tagliaferro, reiterando que todos os pedidos feitos ao STF em seu caso foram indeferidos.
Nunes Marques no TSE e a Sombra da Censura
Questionado sobre a presidência de Nunes Marques no TSE e a expectativa de um período eleitoral livre de censura, Tagliaferro mostrou ceticismo. Ele mencionou o recente escândalo envolvendo o filho de Nunes Marques, que acumulou R$ 28 milhões em dois anos de advocacia, comparando-o ao caso da esposa de Moraes, Viviane Barci, que obteve um contrato milionário sem formação específica.
“Eu não acredito que seja muito diferente. Talvez ele não censure diretamente, mas faça um malabarismo para que o peso não caia só sobre ele e para não mostrar novamente um TSE arbitrário”, ponderou. Tagliaferro sugere que a **máquina do STF** poderá ser utilizada pelo TSE para fins de censura, mesmo sob nova gestão.
O Caso Carla Zambelli e sua Repercussão na Itália
Abordando o caso da deputada Carla Zambelli na Itália, Tagliaferro explicou que a decisão recente da Corte de Cassação não foi uma negativa de extradição, mas sim um anulamento do processo, que agora retornará à Corte de Apelação para ser refeito do zero. Para ele, o caso tem pouca repercussão na Itália.
“O que pode fazer diferença é algo futuro, não algo imediato: se a Corte de Apelação de Catanzaro conceder a extradição dela, eu poderei usar, num eventual recurso da minha defesa à Corte de Cassação, a decisão já tomada no primeiro processo dela”, explicou. Contudo, Tagliaferro ressaltou que, no momento, o caso Zambelli não o ajuda diretamente, mas é importante notar que parte da decisão da Cassação se baseou em provas enviadas por ele aos advogados da deputada.