Ausência do candidato do PT em debate por Minas Gerais diminui citações a Lula; temas como dívida e segurança são centrais
O primeiro debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais, realizado pela Band, abordou temas cruciais como a dívida estadual, privatizações e segurança pública. O evento, adiado pela emissora devido a “sucessivas indefinições no cenário mineiro”, contou com a participação de Mateus Simões (PSD), Alexandre Kalil (PDT), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB) e Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Patrus Ananias (PT) não esteve presente, justificando sua ausência com um compromisso em São Paulo para o lançamento da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa ausência, conforme observado, resultou em uma diminuição significativa das referências a Lula ao longo do debate.
Cleitinho Azevedo, por exemplo, mencionou o petista apenas no encerramento, ao declarar apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Ele ressaltou que, embora não haja aliança formal, não adotará uma posição neutra na eleição nacional. As informações são do portal G1.
Estratégias e Confrontos no Debate Mineiro
O debate foi marcado por diferentes estilos de campanha. Alexandre Kalil manteve um tom de confronto, direcionando críticas aos seus adversários. Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg, enfatizou sua experiência em gestão de entidades como Fiemg, Sesi e Senai.
Mateus Simões aproveitou os questionamentos para apresentar ações da atual administração estadual, assumindo o cargo após a saída de Romeu Zema. Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, focou em críticas aos concorrentes e em seu conhecimento sobre o estado e os projetos apresentados.
Cleitinho Azevedo, apesar de se posicionar como candidato de direita, buscou diálogo com eleitores de diversas vertentes políticas. Ele defendeu medidas voltadas a servidores e contribuintes, criticou privilégios e reforçou a importância do diálogo com o próximo presidente, independentemente do resultado da eleição nacional.
Divergências sobre a Dívida Estadual e Privatizações
A dívida de Minas Gerais foi um dos pontos de maior confronto. Alexandre Kalil criticou o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), classificando-o como uma “agressão a Minas Gerais” e defendendo uma nova negociação com o governo federal.
Cleitinho Azevedo propôs a revisão de benefícios fiscais, o combate à sonegação e o aumento da arrecadação estadual como caminhos para reduzir a dívida, afirmando que nenhum governador conseguiria quitá-la em um único mandato. Flávio Roscoe sugeriu mobilizar a bancada mineira no Congresso para alterar as condições do Propag, argumentando que o formato atual limita a capacidade de investimento do estado.
Gabriel Azevedo defendeu o acordo de renegociação, destacando a participação de instituições mineiras nas discussões e a possibilidade de quitar o débito sem juros, desde que o estado controle as despesas. As privatizações da Cemig e Copasa também geraram divergências, com Gabriel Azevedo rejeitando a venda das companhias, enquanto Flávio Roscoe defendeu a privatização da Copasa como forma de ampliar investimentos em saneamento.
Segurança Pública e Propostas Econômicas em Destaque
A atuação de facções criminosas e a segurança pública foram outros temas centrais. Gabriel Azevedo criticou a política de segurança da atual administração, alegando enfraquecimento da relação com as polícias e avanço do crime organizado. Ele defendeu reajustes para profissionais de segurança e o fortalecimento das polícias.
Cleitinho Azevedo propôs mais investimentos em inteligência e o fortalecimento das polícias Civil e Penal, especialmente no interior. Ele também cobrou alterações na legislação federal para ampliar o combate ao crime organizado. Sobre o IPVA, Cleitinho defendeu mudanças para reduzir o peso da cobrança sobre proprietários de veículos, visando estimular o consumo.
Mateus Simões contestou a proposta do IPVA, alertando para os efeitos sobre as prefeituras, que recebem parte da arrecadação do tributo. Ele lembrou que a isenção para veículos antigos já reduziu receitas e defendeu compensações financeiras para preservar os serviços municipais.
Mensagens Finais e Trajetórias dos Candidatos
No encerramento, os candidatos apresentaram suas mensagens finais. Mateus Simões destacou sua trajetória e a recuperação das contas públicas do estado. Gabriel Azevedo focou em propostas e na promessa de zerar filas de cirurgias.
Flávio Roscoe reforçou sua posição de direita e criticou a gestão do PT no passado. Cleitinho Azevedo ressaltou sua origem humilde e prometeu uma campanha mais barata, abrindo mão do fundo eleitoral. Alexandre Kalil enfatizou sua experiência como prefeito de Belo Horizonte e o cuidado com as pessoas.