Comércio Lança Campanha Urgente Contra Fim da Escala 6x1: "Agora Não!" às Vésperas de Votação no Senado

Comércio Lança Campanha Urgente Contra Fim da Escala 6×1: “Agora Não!” às Vésperas de Votação no Senado

Resumo

Setor do Comércio Nacional Mobiliza-se Contra Mudanças na Jornada de Trabalho e Alerta para Riscos Econômicos

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), juntamente com suas 34 federações e sindicatos filiados, iniciou neste fim de semana uma campanha nacional de grande repercussão. O objetivo é barrar o fim da escala de trabalho 6×1, um modelo amplamente utilizado em diversos setores da economia brasileira. A ação ocorre em um momento estratégico, poucos dias antes da votação de propostas consideradas cruciais para o governo.

A mobilização surge após um acordo firmado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os comandos da Câmara dos Deputados e do Senado. A expectativa é que o relatório do senador Omar Aziz seja apreciado ainda na próxima semana, tanto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) quanto em plenário. A proposta, que já foi aprovada na Câmara, prevê mudanças significativas nas relações de trabalho.

Com o slogan “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”, as entidades do comércio buscam alertar os senadores sobre os potenciais efeitos negativos de uma alteração constitucional drástica. Elas defendem que qualquer mudança precisa considerar atentamente o cenário econômico atual e seus desdobramentos para empresas, empregados e consumidores. Conforme informação divulgada pela CNC, a campanha visa a conscientização sobre os riscos iminentes.

Impactos Econômicos e Pressão sobre o Varejo Nacional

As entidades do comércio destacam uma série de desafios que já afetam o setor, como as **altas taxas de juros**, o **crédito caro e restrito**, o **endividamento recorde das famílias** e a crescente **inadimplência das empresas**. Além disso, mencionam a saída de companhias estrangeiras do país e o fim da chamada “taxa das blusinhas”, que também será votado na Câmara, como fatores que aumentam a pressão sobre o varejo e sua competitividade frente a produtos importados.

A CNC estima que mais de **90% da mão de obra do setor terciário** opera atualmente sob o regime 6×1. Uma mudança abrupta nessa escala de trabalho poderia gerar um **aumento significativo nos custos operacionais** das empresas. Esse acréscimo, segundo a entidade, poderia ser repassado aos consumidores na forma de preços mais elevados, além de potencialmente levar à redução de postos de trabalho e ao aumento da informalidade.

CNC Defende Debate Técnico e Diálogo para Mudanças Trabalhistas

José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, ressaltou a importância de um debate aprofundado. “O setor terciário não se opõe ao debate sobre o bem-estar do trabalhador, mas uma decisão dessa magnitude exige análise técnica, diálogo e profunda responsabilidade”, afirmou.

Tadros argumenta que a discussão sobre as condições de trabalho é legítima, porém, deve ser conduzida sem pressa e com base em estudos técnicos. Ele expressa preocupação com a votação de uma mudança constitucional trabalhista tão perto do período eleitoral, alertando para possíveis impactos negativos sobre pequenos negócios e a manutenção de empregos formais em toda a cadeia produtiva.

“Votarmos esta alteração constitucional drástica nas relações de trabalho, de forma apressada e às vésperas de um processo eleitoral, é colocar em risco a estabilidade de milhões de micro e pequenas empresas e a própria manutenção dos empregos formais de toda a cadeia produtiva”, alertou o presidente da CNC.

Proposta da CNC: Negociação Coletiva como Caminho

A CNC propõe que eventuais mudanças nas jornadas de trabalho sejam tratadas através de **convenções coletivas**. Esse modelo, segundo a entidade, permitiria que trabalhadores e empregadores considerassem as particularidades de cada setor e região, preservando a autonomia das negociações. A confederação lembra que esse tipo de acordo já está previsto na legislação trabalhista vigente.

A posição da entidade é clara: decisões com impacto direto nos custos, preços, investimentos e empregos precisam ser amplamente discutidas, sem que o calendário eleitoral dite a velocidade das análises. A CNC defende que tanto as alterações na jornada de trabalho quanto medidas relacionadas à tributação de importações tenham um processo de avaliação cuidadoso e abrangente.

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