Oposição Reage a Pedido de Moraes para Investigar Mendonça: "Está Fora de Si" e Acusações de Abuso de Poder

Oposição Reage a Pedido de Moraes para Investigar Mendonça: “Está Fora de Si” e Acusações de Abuso de Poder

Resumo

Oposição reage com veemência a pedido de Moraes para investigar Mendonça, acusando abuso de poder e “inversão de valores”.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) criticou duramente a iniciativa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de solicitar ao presidente da Corte, Edson Fachin, autorização para investigar o ministro André Mendonça. Segundo Marinho, essa ação transforma o Inquérito 4.781, conhecido como “inquérito das fake news”, em um “instrumento de poder pessoal”.

Em nota oficial, Marinho classificou a medida como uma “inversão intolerável de valores”. Ele argumentou que Moraes deveria prestar esclarecimentos sobre fatos que o envolvem, em vez de usar poderes investigativos para constranger colegas que conduzem apurações que o alcançam diretamente.

O líder da Oposição reforçou o chamado para as manifestações de 7 de Setembro, defendendo uma “reação pacífica e democrática” contra o que ele denominou de “práticas de exceção e abuso de poder”. Conforme Marinho, o inquérito, em vigor há sete anos e com limites cada vez mais amplos em sua avaliação, passou a servir como uma espécie de proteção para o próprio ministro.

Moraes pede investigação contra Mendonça e alega condutas irregulares

Alexandre de Moraes solicitou a Edson Fachin a autorização para investigar André Mendonça no âmbito do Inquérito 4.781. O pedido, divulgado nesta quinta-feira, cita supostas irregularidades atribuídas a Mendonça no exercício da relatoria de operações como a “Sem Desconto” e a “Compliance Zero”.

De acordo com Moraes, Mendonça teria, em tese, praticado condutas que poderiam configurar improbidade administrativa e abuso de autoridade. Além disso, o pedido aponta uma suposta quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos. O plenário do STF deverá deliberar sobre o pedido, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) já foi oficialmente comunicada.

Essa iniciativa ocorre apenas dois dias após André Mendonça ter retirado o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. No mesmo dia, Moraes requisitou ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o encaminhamento de relatórios de inteligência que mencionassem ministros da Corte.

Oposição vê retaliação e compara Moraes a “Nero brasileiro”

Parlamentares da oposição reagiram com indignação às ações de Moraes. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) declarou que o ministro “jogou no lixo” o que restava de credibilidade no STF, classificando a decisão como “arbitrária e autoritária” e comparando-o a “um Nero brasileiro dos tempos modernos”. Ela também apoiou as manifestações nas ruas contra o ministro.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi mais direto em sua crítica, sugerindo que Mendonça deveria “dar voz de prisão” a Moraes durante uma sessão do plenário do STF. O deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) chamou Moraes de “louco” e incentivou a participação nas manifestações de 7 de Setembro.

O deputado federal Gilson Marques (Novo-SC) considerou o episódio “inacreditável” e rotulou Moraes como “ditador”, questionando o fato de um ministro pedir a inclusão de outro em um inquérito. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) afirmou que Moraes estaria atribuindo a Mendonça condutas que ele próprio teria praticado, prevendo um “enfraquecimento do Poder Judiciário”.

Críticas e apelos por manifestação contra “abuso de poder” no STF

O vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo) avaliou que Moraes “dobrou a aposta” e que o presidente do STF, Edson Fachin, teria de “escolher entre os dois ministros”, indicando uma situação onde “vence o mais forte”. O ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo) classificou o momento como “crítico para a República”, questionando a competência de Moraes para acusar um colega e a sua condução do inquérito.

A economista Marina Helena, candidata a deputada federal pelo Novo, expressou surpresa com a situação, perguntando “Que loucura é essa?”. Ela sugeriu que Moraes estaria usando o inquérito para retaliar Mendonça e que o ministro do STF precisaria de apoio. Fernando Holiday, vereador de São Paulo e candidato a deputado estadual pelo PL, foi enfático ao afirmar que Moraes “está fora de si” e defendeu seu afastamento.

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