Marco Aurélio Mello questiona Alexandre de Moraes sobre inclusão de André Mendonça em inquérito
O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, expressou forte crítica à possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes incluir o colega André Mendonça em um inquérito conhecido como “inquérito do fim do mundo”, referência à apuração das fake news. A declaração surge em meio a uma tensa guerra interna no STF, desencadeada pela decisão de Mendonça de levantar o sigilo de mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Marco Aurélio Mello, em entrevista à GloboNews, defendeu a atuação de André Mendonça, destacando que a função do juiz é liderar o inquérito, não investigar diretamente, papel que cabe à polícia. Ele ressaltou que a tentativa de “execrar” Mendonça, usando a estratégia de “ataque como defesa”, é inaceitável.
O ex-ministro enfatizou a importância de manter a imparcialidade, afirmando que “o julgador não pode ser vítima no caso”. A declaração de Marco Aurélio Mello é um forte indicativo do descontentamento com as ações de Alexandre de Moraes, que solicitou autorização ao presidente do STF, Edson Fachin, para incluir Mendonça no inquérito das fake news. A notícia completa os desdobramentos dessa crise.
Marco Aurélio defende Mendonça e critica ação de Moraes
Em suas declarações, Marco Aurélio Mello afirmou categoricamente: “Não posso imaginar, mesmo diante de um autoritarismo maior, que o ministro Alexandre de Moraes tenha chegado a esse ponto de pretender incluir no inquérito do fim do mundo, que está sob a relatoria dele, um colega”. O ministro aposentado, no entanto, ponderou que não se deve “crucificar nem o ministro Alexandre de Moraes e, muito menos, o ministro André Mendonça”, buscando um equilíbrio na crítica.
O ex-magistrado relembrou sua própria defesa de que o STF deveria resolver impasses em reuniões fechadas, mas ressaltou que, diante da situação atual, a Corte precisa oferecer respostas à sociedade em sessões públicas. Essa mudança de postura reflete a gravidade da crise interna que abala o Supremo Tribunal Federal.
Diferenças sobre o papel do juiz e a Lava Jato
Durante a entrevista, Marco Aurélio Mello também comentou sobre a atuação do ex-juiz Sergio Moro na Operação Lava Jato. Ele divergiu da ideia de que Moro investigou, afirmando que “quem investigou foi o Ministério Público e o juiz Sergio Moro atuou como julgador”. Essa distinção é fundamental para entender sua visão sobre o papel do judiciário.
Marco Aurélio Mello avaliou que o diálogo entre julgador e Ministério Público é “sadio”, contrastando com as recentes polêmicas. Ele sugeriu que, em casos de suspeição de ministros, o presidente do STF poderia assumir a relatoria de processos, uma medida para garantir a imparcialidade e a confiança nas decisões judiciais.
Entendendo a crise entre Moraes e Mendonça
A crise se intensificou após André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que expôs mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. A publicação dessas mensagens levou Moraes a pedir a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news, alegando riscos à sua atuação. O pedido de Moraes foi baseado em um relatório de inteligência da PF, classificado pela própria corporação como “sem valor probatório”.
O presidente do STF, Edson Fachin, solicitou informações sobre o pedido de investigação contra Mendonça e, posteriormente, retirou o pedido do inquérito das fake news, pedindo um parecer da Procuradoria-Geral da República. A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, já havia se manifestado pela anulação do caso, mas o procurador-geral, Paulo Gonet, gerou controvérsia ao ter encaminhado o pedido de manifestação ao seu substituto, o que Marco Aurélio Mello considerou “dar o certo pelo errado”.
A importância da transparência e da resposta pública
Marco Aurélio Mello criticou a forma como alguns casos são tratados, utilizando a expressão “colocar a coisa debaixo do tapete”, o que ele considera “pessimo”. A busca por transparência e respostas claras à sociedade se torna cada vez mais crucial, especialmente em um contexto de tensões institucionais.
A recente movimentação de Alexandre de Moraes, buscando investigar André Mendonça, gerou grande repercussão e aumentou a pressão por uma resolução transparente da crise. A atuação de Fachin em buscar informações e a decisão de retirar o pedido de investigação mostram um movimento em direção à normalização, mas as declarações de Marco Aurélio Mello evidenciam que as feridas ainda estão abertas no seio do STF.