D. Pedro I Agradece e Alerta Paulistanos Após Proclamação da Independência em 1822
Ainda sob o impacto do Grito do Ipiranga, D. Pedro I retornou a São Paulo em 7 de setembro de 1822, onde a notícia da independência já se espalhava. A cidade, com pouco mais de 10 mil habitantes, celebrou a ruptura com Portugal em festa, com repicar de sinos e manifestações patrióticas, culminando em euforia no Teatro da Ópera.
Contudo, a euforia daquele dia escondia a dimensão dos desafios que o recém-nascido Brasil enfrentaria. A decisão, que teria sido antecipada impulsivamente por D. Pedro I após notícias da corte em Lisboa, não garantia a consolidação da independência. Era o início de uma luta política e militar que exigiria união e determinação.
Na manhã seguinte, 8 de setembro, antes de deixar São Paulo, o Príncipe Regente dirigiu uma proclamação aos paulistanos. O tom mudou da celebração para um apelo à união e ao reconhecimento da ameaça que pairava sobre a nova nação, conforme informações divulgadas pelo portal G1.
O Apelo à União e o Reconhecimento dos Desafios
Em sua carta aos “Honrados paulistanos”, D. Pedro I expressou o profundo amor que dedicava ao Brasil e, em particular, à Província de São Paulo, por ter sido a primeira a manifestar contra o que chamou de “sistema maquiavéllico, desorganizador e faccioso das cortes de Lisboa”. Ele afirmou que sua presença na cidade visava consolidar a união e a tranquilidade, ameaçadas por desorganizadores.
O Príncipe Regente revelou que, enquanto estava em São Paulo, recebeu notícias de Lisboa sobre a intenção dos “traidores da nação” em atacar o Brasil e afastá-lo de seu “Defensor”. Diante disso, sentiu-se obrigado a se afastar temporariamente para o Rio de Janeiro, a fim de ouvir seus conselheiros e tomar providências sobre “negócios de tão alta monta”.
A Ameaça Portuguesa e a Divisa da Nação
D. Pedro I assegurou aos paulistanos que sua separação deles era um golpe doloroso para sua alma, agradecendo aos seus “amigos Paulistanos” pelos bens que o Brasil já desfrutava e esperava desfrutar com uma “Constituição liberal e judiciosa”. Ele enfatizou que a missão dos paulistanos, e de todos os brasileiros, era **conservar a união entre si**.
A carta alertava para a iminência de uma guerra, não apenas contra as tropas enviadas de Portugal, mas também contra “seus servis partidistas e vis emissários” que agiam traiçoeiramente dentro do Brasil. D. Pedro I reiterou que, ao tratar da causa pública, não tinha amigos ou validos, demonstrando sua seriedade.
Um Chamado à Tranquilidade e Vigilância
O Príncipe Regente aconselhou os paulistanos a **“existir tranquilos”** e a se acautelarem dos “facciosos sectários das cortes de Lisboa”. Ele os garantiu que poderiam contar com seu apoio em todas as ocasiões, declarando-se seu **“Defensor Perpétuo”**. A missiva, assinada no Paço em 8 de setembro de 1822, ecoava a poderosa divisa que se tornaria símbolo da luta pela liberdade: **“Independência ou Morte”**.