Eduardo Bolsonaro: Ministros do STF sob Risco de Sanções dos EUA por 'Interferência' Eleitoral

Eduardo Bolsonaro: Ministros do STF sob Risco de Sanções dos EUA por ‘Interferência’ Eleitoral

Resumo

Eduardo Bolsonaro levanta a possibilidade de sanções dos EUA contra ministros do STF em caso de interferência eleitoral

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou em Washington, nos Estados Unidos, que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) podem enfrentar sanções individuais por parte do governo americano. Essa possibilidade, segundo ele, estaria condicionada a uma avaliação de que a Corte tentou interferir no resultado das eleições presidenciais brasileiras.

As declarações foram feitas em uma coletiva de imprensa após encontros de Eduardo e do jornalista Paulo Figueiredo com membros do governo do então presidente Donald Trump. A dupla visitou os EUA para discutir, entre outros temas, a eventual aplicação de novas sanções contra integrantes do Supremo.

Eduardo Bolsonaro mencionou como hipótese uma vitória de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), seguida por uma tentativa do STF de contestar ou anular o resultado. Conforme informações divulgadas, ele declarou que, se a Suprema Corte americana entender que a eleição de Flávio é um ato de golpismo, os Estados Unidos poderiam não reconhecer o resultado e sancionar os ministros individualmente. A reportagem cita que as decisões sobre sanções não estariam atreladas ao calendário eleitoral brasileiro, podendo ocorrer a qualquer momento, caso o governo americano considere que os requisitos legais foram cumpridos.

Pedido de Sanções e Apoio a Autoridades

A fala de Eduardo Bolsonaro ocorre um dia após ele se reunir com autoridades do governo Trump para solicitar sanções contra os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino. Paulo Figueiredo confirmou o encontro e o teor da conversa à Gazeta do Povo. Na coletiva, Eduardo reiterou o pedido para sancionar Moraes, argumentando que Gilmar Mendes e Flávio Dino também poderiam ser alvos por, em sua visão, terem oferecido apoio a uma autoridade acusada de violar direitos humanos.

Eduardo Bolsonaro relembrou que Alexandre de Moraes já foi sancionado sob a Lei Magnitsky em 2025, mas foi retirado da lista de sanções no final do mesmo ano. “Nós nunca deixamos de fazer os pedidos em relação ao Alexandre de Moraes, é um pedido constante. No que dependesse da gente, o nome do Alexandre de Moraes nunca teria saído”, declarou, acrescentando que outros ministros poderiam ser incluídos por darem “apoio material a um violador de direitos humanos”.

Eleição de Lula e Barreiras Tarifárias

Questionado sobre uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, Eduardo Bolsonaro afirmou que não pediria aos EUA para deixarem de reconhecer o resultado apenas por discordar do vencedor. Segundo ele, a questão dependeria da eleição ser considerada “livre, limpa e justa”. Ele também negou ter solicitado a imposição de tarifas contra produtos brasileiros, defendendo que medidas americanas deveriam atingir individualmente autoridades, em vez de impactar a economia do país.

Eduardo Bolsonaro indicou que a redução de tarifas já impostas pelos EUA depende de negociações conduzidas pelo governo Lula, afirmando que “essa bola está no pé do governo Lula”. Ele mencionou que Flávio Bolsonaro já havia encaminhado documentos aos americanos argumentando contra o uso de tarifas comerciais como resposta a divergências entre os países.

Acompanhamento Americano e Pedido por Prudência

Paulo Figueiredo relatou que membros do governo Trump estariam acompanhando os conflitos internos do STF e buscando informações diretamente com os envolvidos. Ele mencionou que autoridades americanas chegaram a ligar durante uma sessão do STF para entender o funcionamento do pedido de vista em um julgamento, demonstrando um acompanhamento da situação brasileira “em tempo real”.

Diante desse cenário, Eduardo Bolsonaro fez um apelo para que seus apoiadores evitem protestos violentos e concentrem suas reações políticas na votação de outubro. Ele alertou que confrontos ou desordens poderiam criar condições para a repetição de episódios como os de 8 de janeiro de 2023. “O caminho não é ir para a rua agora”, disse, enfatizando que “a resposta que a gente tem que dar é dia 4 de outubro nas urnas”.

Cooperação em Segurança e Economia

Eduardo Bolsonaro também abordou a questão da segurança, afirmando ter solicitado maior apoio dos Estados Unidos no combate ao PCC e ao Comando Vermelho, declarados como grupos terroristas pela Casa Branca. A cooperação poderia incluir transferência de inteligência, tecnologia e armamentos para as polícias brasileiras, mas ele descartou a presença de tropas americanas no Brasil.

Ele defendeu ainda que o Brasil integre o “Escudo das Américas” em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, ampliando a cooperação com Washington contra o narcotráfico e organizações criminosas. Outros temas discutidos foram o setor de minerais críticos e terras raras, com a defesa da entrada de capital e tecnologia americanos, além de inteligência artificial, investimentos e cooperação em defesa. Eduardo também mencionou a possibilidade de maior aproximação com a OCDE e cooperação com a OTAN na indústria de defesa em um futuro governo de seu irmão.

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