Arcebispo de Baltimore elogia papel fundamental das religiosas na formação da sociedade americana
O arcebispo de Baltimore, William Lori, dirigiu-se à Assembleia Nacional de Superioras Maiores de Religiosas Femininas em Florissant, Missouri, no último dia 18 de setembro, para enaltecer a profunda e duradoura influência das religiosas na sociedade americana. O evento, que celebrou os 250 anos da fundação dos Estados Unidos sob o tema “250 Anos de Liberdade: Filhas da Igreja de Uma Geração para a Próxima”, serviu como palco para o reconhecimento da contribuição vital dessas mulheres.
Lori destacou que, embora a história dos Estados Unidos frequentemente celebre seus Pais Fundadores, a nação teria sido significativamente diferente sem o trabalho incansável de “milhares e milhares de religiosas”. Ele ressaltou que o legado dessas mulheres é intrinsecamente ligado à prática da “pobreza evangélica”, um princípio que, paradoxalmente, enriqueceu inumeráveis comunidades.
O arcebispo enfatizou que a “pobreza evangélica” não é um obstáculo, mas sim um catalisador para a influência positiva. Conforme informação divulgada pela Catholic News Agency, Lori afirmou: “As religiosas mudaram a nação porque primeiro permitiram que Cristo as mudasse”. Ele citou o exemplo da Santa Francisca Xavier Cabrini, cujo voto de pobreza não a impediu de fundar escolas, hospitais e orfanatos, e a Serva de Deus Irmã Mary Thea Bowman, reconhecida por sua abordagem “profundamente católica” ao combater o racismo.
O Legado de Serviço e Transformação das Religiosas
Em seu discurso, William Lori enumerou as diversas frentes de atuação das religiosas que moldaram os Estados Unidos. “Vocês e aquelas que vieram antes ensinaram nossas crianças, cuidaram dos doentes, acolheram imigrantes, acompanharam os moribundos, consolaram os corações partidos e proclamaram Cristo onde ninguém mais estava disposto a ir”, declarou o arcebispo, sublinhando o alcance de seu serviço.
Ele questionou retoricamente: “Quem acolheu onda após onda de imigrantes? Quem cuidou das vítimas de epidemias quando outros fugiam? Quem ensinou gerações de crianças não apenas aritmética e gramática, mas honestidade, sacrifício, disciplina e amor a Deus?”. As respostas, implícitas em sua fala, apontam para as religiosas como pilares de apoio e educação ao longo da história americana.
O Paradoxo da Pobreza Evangélica e Influência Social
O arcebispo de Baltimore abordou o “paradoxo” inerente à vida religiosa. “Aquelas que fazem votos de pobreza enriqueceram inúmeras comunidades” e “aquelas que renunciaram à ambição mundana frequentemente exerceram a maior influência sobre a sociedade”, explicou Lori. Ele observou que “o mundo luta para entender esse paradoxo”, mas que “o Evangelho não”.
Essa dinâmica demonstra como a renúncia a bens materiais e a busca por uma vida dedicada a Deus podem gerar um impacto social imensurável. A “pobreza evangélica” se revela não como uma limitação, mas como uma força motriz para a ação em prol do bem comum, inspirando e transformando a sociedade.
Um Chamado à Esperança e ao Testemunho Contínuo
Lori encorajou as religiosas a renovarem seu compromisso com sua vocação. “O mundo precisa de mulheres que foram tomadas por Cristo”, afirmou. Ele enfatizou a importância do testemunho de vida dessas mulheres, que demonstram a realidade de Deus, a possibilidade da santidade, a frutificação do sacrifício e o poder transformador do amor em comunhão com Cristo.
A Igreja, segundo o arcebispo, “olha para vocês com esperança”. A gratidão expressa não é suficiente, mas sim a expectativa de que continuem a ser faróis de fé e serviço. A Assembleia Nacional do Conselho de Superioras Maiores de Religiosas Femininas, composta por representantes de 112 comunidades nos EUA, reafirma seu papel como um “trampolim para colaboração, participação e diálogo”, promovendo a unidade e a “alegria da vida religiosa”.