Ronaldo Caiado: Relação antiga com Gilmar Mendes pode calibrar discurso do presidenciável sobre o STF

Ronaldo Caiado: Relação antiga com Gilmar Mendes pode calibrar discurso do presidenciável sobre o STF

Resumo

Caiado e o STF: um delicado equilíbrio entre crítica e proximidade com Gilmar Mendes

A relação entre os Poderes tem sido marcada por tensões crescentes, com o Supremo Tribunal Federal (STF) frequentemente no centro dos debates. Nesse cenário, o presidenciável Ronaldo Caiado (PSD-GO) se vê diante do desafio de calibrar seu discurso durante a campanha eleitoral.

Apesar do ambiente político polarizado, que inclui críticas contundentes ao STF por parte de figuras como Romeu Zema (Novo-MG) e a família Bolsonaro, Caiado mantém uma relação de proximidade com ministros da Corte, em especial com o decano Gilmar Mendes. Essa conexão pode influenciar a forma como o governador goiano abordará o tema.

Conforme informações divulgadas, a estratégia de Caiado parece ser a de propor reformas pontuais no Judiciário, sem adotar um tom de confronto direto, buscando um caminho de diálogo e construção, em contraste com outros atores políticos. Essa abordagem visa aprofundar o debate sobre a necessidade de ajustes institucionais.

Laços antigos e gestos de apreço entre Caiado e Gilmar Mendes

A conexão entre Ronaldo Caiado e Gilmar Mendes remonta a anos e se fortalece por meio de gestos públicos e decisões que beneficiaram o estado de Goiás. No ano passado, Caiado concedeu o título de cidadão goiano aos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Na ocasião, o governador goiano fez questão de agradecer a Gilmar Mendes por uma decisão que adiou o pagamento de dívidas do estado, destacando sua frequência no STF. Ele também reconheceu a importância de Dias Toffoli para a entrada de Goiás no Regime de Recuperação Fiscal, afirmando que sua presença constante no Supremo era a única alternativa para governar e recuperar as finanças estaduais.

As trajetórias de Caiado e Mendes se entrelaçam nas regiões Centro-Oeste e em Brasília. Enquanto Caiado iniciou sua carreira política na década de 1980, defendendo produtores rurais, Mendes construiu sua carreira jurídica na capital federal, sendo posteriormente indicado ao STF por Fernando Henrique Cardoso. Em 2024, Gilmar Mendes foi homenageado com a Comenda da Ordem do Mérito Anhanguera, em cerimônia no Palácio das Esmeraldas.

Propostas de reforma para o Judiciário e a figura de Caiado

Diferentemente de outros políticos que optam pelo confronto, Ronaldo Caiado tem apresentado propostas de reforma para o Poder Judiciário. Entre suas sugestões, destaca-se o estabelecimento de uma **idade mínima de 60 anos para a indicação de ministros ao STF** e a implementação de uma **quarentena de oito anos** para que membros do Judiciário possam se candidatar a cargos eletivos.

Caiado também propõe a criação de uma janela de quatro anos para que ex-ministros da Corte possam retornar à advocacia, além de vedar a atuação de escritórios de advocacia que possuam parentes de primeiro grau de ministros. Segundo a assessoria de imprensa da pré-campanha, o governador goiano avalia a situação institucional como “crítica” e defende mudanças na forma de indicação dos ministros do STF.

Ele sugere que a escolha presidencial seja feita a partir de uma lista, cuja composição não se restrinja apenas a membros da magistratura, indicando uma abertura para debates sobre a composição da Corte.

Anistia para os atos de 8 de janeiro e a defesa de Caiado

Em outra frente, Ronaldo Caiado prometeu a anistia “ampla, geral e irrestrita” para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, caso seja eleito presidente. Essa medida beneficiaria, por exemplo, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado.

A postura de Caiado em relação ao STF foi testada no ano passado, quando participou do aniversário da esposa de Gilmar Mendes. Questionado sobre a proximidade com o ministro, Caiado defendeu seu direito de circular livremente e criticou a “patrulha” sobre as relações institucionais, afirmando que é preciso debater política em alto nível e não sobre quem comparece a festas.

“Jamais na minha vida eu deixei de seguir as regras do que determina a democracia. Jamais deixei de conversar com as pessoas. Sou homem que debate com conteúdo e não sou cabrestado”, declarou Caiado na ocasião, reforçando sua visão de que a governabilidade exige a construção de paz e não de enfrentamento constante entre os Poderes.

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