Comando Vermelho Exigia R$ 60 Mil de Políticos em Sobral para Liberar Campanhas Eleitorais

Comando Vermelho Exigia R$ 60 Mil de Políticos em Sobral para Liberar Campanhas Eleitorais

Resumo

Operação Omertá desarticula esquema do Comando Vermelho que cobrava por campanha em Sobral, Ceará

Uma audaciosa operação do Ministério Público do Ceará (MPCE), em conjunto com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), desvendou um esquema criminoso que visava interferir diretamente no processo eleitoral de Sobral. A investigação, batizada de Operação Omertá, revelou que o Comando Vermelho (CV) cobrava valores expressivos de políticos para permitir a realização de campanhas em bairros sob seu domínio.

Os valores cobrados variavam conforme o cargo do político. Candidatos com mandato eram obrigados a desembolsar até R$ 60 mil, enquanto aqueles sem mandato enfrentavam uma exigência de R$ 30 mil. Além da extorsão financeira, a facção utilizava táticas de coação e ameaças, buscando não apenas garantir o pagamento, mas também influenciar o voto dos eleitores locais.

A ação resultou no cumprimento de 14 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão, com três vereadores de Sobral entre os detidos. O MPCE aponta que a organização criminosa atuou de forma significativa nas eleições municipais de 2024 e planejava repetir a ação nas disputas seguintes, demonstrando um preocupante domínio territorial e influência política. Conforme informação divulgada pelo MPCE, a investigação começou a partir da atuação da organização criminosa nas eleições de 2024 e avançou para a disputa de 2026.

Vereadores e Assessores Detidos em Operação Contra o CV

A Operação Omertá teve como alvos o vereador Carlos do Calisto (PSB), Mário Vicktor (União) e Juninho do Povo (Podemos), que foram presos durante as ações. Um assessor jurídico da Câmara Municipal de Sobral e outros membros da organização criminosa também foram detidos. Sete indivíduos permanecem foragidos, e as autoridades continuam empenhadas em sua captura. A Justiça determinou também o afastamento de uma policial militar, apontada como esposa de um integrante da facção, além de outros agentes públicos, por um período de 180 dias.

Ameaças e Cancelamento de Eventos Políticos

O promotor Igor Pinheiro, coordenador do Grupo Auxiliar Eleitoral (Gael) do MPCE, relatou que candidatos que concorrerão às eleições de 2026 também foram alvo de ameaças e extorsões. Essas ações, segundo o promotor, chegaram a provocar o cancelamento de eventos políticos em julho, evidenciando o poder de intimidação exercido pela facção. A investigação apura crimes como organização criminosa, dominação social estruturada, extorsão, lavagem de dinheiro, corrupção e impedimento do exercício da propaganda eleitoral.

MPCE Solicita Informações Detalhidas da Câmara Municipal

Em paralelo às prisões, o MPCE requisitou à Câmara Municipal de Sobral a entrega de uma lista completa de servidores em cargos comissionados, funções de confiança e contratos temporários. A exigência inclui o detalhamento das atribuições, carga horária de cada funcionário e informações sobre a realização de análise de antecedentes criminais antes das nomeações ou contratações. A Polícia Federal ficará responsável pela análise do material apreendido, que inclui celulares, dinheiro em espécie e documentos.

Domínio Territorial e Influência nas Urnas

A suspeita dos investigadores é que a facção não se limitava a cobrar dinheiro dos candidatos, mas também determinava quem poderia realizar campanha em determinadas comunidades. Essa interferência direta no processo eleitoral, segundo o MPCE, configura um grave atentado à democracia. A presença do Comando Vermelho e sua atuação criminosa em Sobral demonstram um padrão de **domínio social estruturado**, visando não apenas o lucro financeiro, mas também o controle político e a perpetuação de suas atividades ilícitas.

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