PF investiga R$ 100 mil pagos a jornalista ligado a ex-secretário do Maranhão em operação contra Flávio Dino

PF investiga R$ 100 mil pagos a jornalista ligado a ex-secretário do Maranhão em operação contra Flávio Dino

Resumo

PF suspeita de pagamento de R$ 100 mil a jornalista para “comprar” matérias contra Flávio Dino

A Polícia Federal (PF) aponta um pagamento de R$ 100 mil ao jornalista Luís Pablo, com a suspeita de que o valor teria sido usado para “comprar” reportagens contrárias ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino. A investigação defende a operação contra o ex-secretário do Maranhão, Ricardo Cutrim, que seria a fonte do profissional.

A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, cumpriu mandados de busca e apreensão contra Cutrim e um advogado supostamente ligado ao jornalista. A PF busca esclarecer a motivação do pagamento e o uso de uma conta de terceiro para o recebimento do valor.

Segundo a Polícia Federal, o pagamento direcionado ao jornalista Luís Pablo, que publicou matérias críticas a Flávio Dino, levanta suspeitas sobre a natureza informativa e a legitimidade de seu blog. Conforme informação divulgada pela PF, a investigação sugere que o blog pode funcionar como um veículo para a publicação de matérias pagas e com direcionamento político, sem a devida transparência.

Suspeita de “compra” de matérias e uso de conta de terceiro

Luís Pablo afirmou à Gazeta do Povo que os R$ 100 mil foram um empréstimo de um amigo, já quitado. No entanto, o relatório da PF ao STF indica que um advogado, alvo da operação, teria feito o repasse em benefício do jornalista. A transação não teria sido direta, com o valor depositado na conta de um terceiro para quitar parte da compra de um imóvel rural pelo jornalista.

A PF destacou que o pagamento foi realizado “por pessoa que tinha por hábito orientar o teor de reportagens contrárias ao Ministro Flávio Dino, em favor do jornalista responsável por tais publicações, o qual usou a conta de terceiro para o recebimento do pagamento”. Os investigadores pediram para aprofundar a análise das conversas entre os alvos da operação e o jornalista.

O relatório da PF detalha que o imóvel rural foi adquirido por R$ 461.000,00, com pagamentos fracionados e de diversos pagadores. Contudo, a autoridade policial ressaltou que “chama atenção o fato de uma pessoa que direciona o teor de matérias jornalísticas de cunho político, aparentemente sempre buscando demonstrar aspectos negativos de determinada autoridade ou de grupo político, fazer tal pagamento exatamente em benefício do jornalista responsável por tais publicações”.

Blog do jornalista sob suspeita de ser “veículo de matérias compradas”

A Polícia Federal considera que o pagamento coloca “sob suspeita o aspecto meramente informativo e a legitimidade” do blog de Luís Pablo. Os investigadores apresentaram a Moraes que o blog “parece mais se assemelhar a um veículo da mídia destinado à publicação de matérias compradas, com direcionamento político, mediante pagamento ‘informal’, já que o site não informa que se tratam de matérias pagas”.

A investigação também aponta que Raimundo Cutrim, ex-secretário de Estado Extraordinário de Assuntos Legislativos do Maranhão, teria usado seu cargo para obter informações sigilosas sobre veículos oficiais e “placas frias” usados na segurança de Flávio Dino e familiares. Esses dados, incluindo fotos e capturas de tela de sistemas internos, teriam sido repassados a Luís Pablo.

Crimes de perseguição e violação de sigilo funcional sob análise

As informações vazadas teriam sido publicadas no blog de Luís Pablo para evidenciar uma suposta vigilância e monitoramento de Flávio Dino. Para a PF e o STF, essa conduta configura, em tese, os crimes de perseguição (stalking) e violação de sigilo funcional.

Diante dos indícios de “ação delituosa”, Alexandre de Moraes determinou buscas domiciliares e pessoais contra Cutrim e o advogado. O ministro avalia que ambos “participaram da ação delituosa, de forma concertada com LUÍS PABLO CONCEIÇÃO ALMEIDA, com a finalidade de atentar contra a liberdade individual e pessoal de Ministro do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, valendo-se do acesso a informações sensíveis, inclusive com vazamento desses dados, com evidências de monitoramento, vigilância e acompanhamento de veículo utilizado pelo Ministro FLÁVIO DINO, indicando, ainda, a conduta de perseguição”.

Defesa de Cutrim levanta preocupação com exposição de fonte jornalística

Em nota, o advogado de Raimundo Cutrim, José Berilo de Freitas Leite, expressou preocupação com a exposição de seu cliente como fonte jornalística. Ele ressaltou que a investigação tramita em sigilo no STF e que a defesa ainda não teve acesso à íntegra dos autos.

“Segundo consta da própria decisão que fundamentou a medida, o Sr. Raimundo Cutrim foi identificado como fonte jornalística do referido profissional, tendo a diligência sido determinada pelo Ministro Alexandre de Moraes, do STF, a requerimento da Polícia Federal, em atendimento à representação formulada pelo Ministro Flávio Dino”, afirmou o advogado.

“A defesa registra sua preocupação técnica quanto à exposição de alguém na condição de fonte jornalística, garantia diretamente vinculada ao sigilo da fonte assegurado pelo art. 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, e ao pleno exercício da liberdade de imprensa, valores que devem ser preservados independentemente do desfecho das apurações em curso”, acrescentou a defesa.

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