Corretores em SC Viram Influencers Digitais: A Nova Era da Marca Pessoal no Mercado Imobiliário de Luxo
Em Balneário Camboriú e na Praia Brava, um detalhe chama a atenção: rostos de corretores dividem espaço com fachadas de edifícios luxuosos em outdoors. Essa estratégia inovadora reflete uma mudança profunda no mercado imobiliário catarinense, onde a personalização e a construção de uma marca forte se tornaram essenciais para o sucesso.
Nas redes sociais, esses mesmos profissionais se transformam em verdadeiros influencers digitais, apresentando empreendimentos com vídeos que podem influenciar a decisão de compra antes mesmo de uma visita. Essa abordagem omnichannel, que combina publicidade de rua e conteúdo digital, visa gerar confiança e proximidade em negociações de alto valor.
A cidade de Balneário Camboriú contava com 4.663 corretores e 599 empresas imobiliárias em 2025, enquanto o estado de Santa Catarina somava 48.371 profissionais e 10.544 empresas, de acordo com o Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Santa Catarina (Creci-SC). Em nível nacional, o mercado imobiliário registrava cerca de 700 mil corretores e 74 mil empresas em 2026, segundo o Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci). Essa saturação de profissionais e ofertas impulsionou a necessidade de diferenciação, deslocando parte da disputa para a marca pessoal do corretor. Conforme dados do Cofeci, o setor tem passado por transformações na prospecção, abordagem, angariação e venda de imóveis.
Guilherme Pilger: Outdoors e Conteúdo Digital para Construir Autoridade
Guilherme Pilger é um exemplo de como a construção de marca pessoal pode alavancar a carreira. Ele iniciou sua estratégia digital em 2016, produzindo vídeos imobiliários que lhe trouxeram visibilidade e autoridade. Ao se mudar para Balneário Camboriú em 2020, Pilger intensificou sua presença, instalando 20 outdoors em pontos estratégicos da região.
A ideia era clara: quem o visse nos painéis, ao pesquisar seu nome, encontraria uma vasta gama de conteúdos sobre imóveis de alto padrão nas redes sociais. “As pessoas me viam nos outdoors, pesquisavam meu nome no Google e me encontravam nas redes sociais como um corretor de alto padrão”, relata Pilger. Essa estratégia resultou em uma audiência expressiva, com mais de 500 mil inscritos em suas plataformas e milhões de visualizações mensais. Ele observa que os contatos mais qualificados chegam pelo YouTube, enquanto os outdoors atraem proprietários interessados em vender seus imóveis.
Bruno Cassola: A Força do Nome Próprio em Quase Duas Décadas de Carreira
Bruno Cassola trilhou um caminho diferente. Com quase duas décadas de experiência no setor imobiliário, atuando em incorporadoras como FG e Embraed, Cassola percebeu que seu nome gerava mais negócios do que a marca da própria imobiliária. Há cerca de três anos, ele decidiu criar um novo site com seu nome, observando um aumento significativo nas vendas após essa transição para a marca pessoal.
“Quando uma pessoa vê repetidamente o nome, o rosto e o posicionamento de um corretor em determinado território, essa marca começa a gerar familiaridade”, explica Thaisa Vieira, especialista em marketing e branding e professora da Uniavan. Ela ressalta que a presença do corretor na comunicação, aliada a conteúdo consistente e conhecimento de mercado, constrói uma camada de familiaridade e confiança na relação comercial.
O Poder Duradouro do Outdoor no Mercado Imobiliário Catarinense
Bruno Cassola defende a importância da publicidade exterior, como os outdoors, em um mercado onde as ofertas podem ser semelhantes. “Se aqui todos têm, basicamente, os mesmos imóveis, por que a pessoa vai me escolher e não outro? Porque me acompanha, vê meu outdoor e me reconhece”, argumenta.
Para Cassola, o outdoor é fundamental para alcançar novos moradores e visitantes que ainda não conhecem os profissionais locais. Ele considera o outdoor parte de um mix estratégico que inclui portais imobiliários, site próprio, tráfego pago e redes sociais. Luiz Fernando Pasin, vice-presidente de Comunicação e Marketing do Secovi de Florianópolis e Tubarão, corrobora essa visão, comparando a função dos outdoors à das placas de “vende-se” em imóveis: ambos tornam o profissional reconhecível na região.
Alex Brito, diretor comercial da FG Empreendimentos, complementa que o impacto do outdoor se estende ao ambiente digital. “É nessa passagem entre rua e tela que o outdoor ganha um papel diferente do anúncio imobiliário tradicional: em vez de levar o comprador apenas a um imóvel, pode levá-lo primeiro a um nome.”
Os Limites da Marca Pessoal: Estrutura e Expertise São Cruciais
Embora a construção de marca pessoal seja uma tendência nacional, segundo Pasin, o corretor atua como um empresário individual, o que exige uma estrutura robusta. “Às vezes, se o corretor está sozinho, ele vai ter que praticamente começar uma imobiliária com a marca dele”, alerta Pasin, destacando a necessidade de gerenciar prospecção, captação, atendimento, administração e negociação.
Bruna Eleutério, sócia da Imobiliária Felicitá, concorda que, embora o trabalho com a marca pessoal melhore os resultados, ele é potencializado pela estrutura de uma imobiliária. Ela menciona que um corretor autônomo em início de carreira teria dificuldades em arcar com todas as funções, como jurídico, financeiro, fotografia e cadastro de imóveis. Por isso, a parceria entre corretor e imobiliária, com a empresa oferecendo a estrutura, permite que o profissional se concentre em suas habilidades e expanda seu potencial.
Apesar do forte apelo da marca pessoal e do alcance digital, a credibilidade permanece fundamental. Para a FG Empreendimentos, “o número de seguidores não determina a escolha de parceiros comerciais”. O essencial é o conhecimento de mercado, qualidade de atendimento, postura comercial, transparência e capacidade de representar os empreendimentos. Em imóveis de alto padrão, relacionamentos qualificados podem valer mais do que visualizações em massa.