Xi Jinping exalta a repressão de 1989 e evoca “tempestades violentas”
O líder da China, Xi Jinping, fez uma declaração contundente nesta segunda-feira (17), elogiando a violenta repressão aos protestos pró-democracia de 1989, evento que culminou no Massacre da Praça da Paz Celestial em Pequim, onde mais de duas mil pessoas foram mortas. A fala ocorreu durante uma cerimônia em homenagem a Jiang Zemin, ex-líder do regime comunista.
Em seu discurso, Xi Jinping transmitiu uma mensagem de firmeza, afirmando que o país está preparado para enfrentar grandes desafios, mesmo em cenários de “mares agitados ou até mesmo tempestades violentas”. O objetivo, segundo o ditador, é defender a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento da China.
O líder chinês destacou a importância de manter a “estabilidade social de longo prazo”, um dos pilares que, segundo ele, o Partido Comunista Chinês (PCCh) tem defendido. A declaração foi feita em um momento de celebração do centenário de nascimento de Jiang Zemin, que governou de 1989 a 2002. Conforme informações da emissora americana CNN, o evento ocorreu no Grande Salão do Povo, na capital chinesa.
Jiang Zemin e a “decisão correta” do PCCh
Ao referir-se especificamente à repressão de 1989, Xi Jinping afirmou que “entre a primavera e o verão de 1989, a China vivenciou uma grave agitação política”. Ele elogiou a atuação de Jiang Zemin, a quem chamou de “camarada”, por ter “apoiado e implementado resolutamente as decisões corretas do Comitê Central, mantendo efetivamente a estabilidade em Xangai”.
Na época dos protestos, Jiang Zemin ocupava o cargo de secretário do PCCh em Xangai. Embora a resposta na cidade não tenha atingido o mesmo nível de brutalidade que em Pequim, Jiang tomou medidas significativas. Ele assumiu o controle do jornal local World Economic Herald e deu apoio à declaração de lei marcial imposta pela ditadura.
Ascensão de Jiang Zemin após a repressão
A postura de Jiang Zemin durante a crise foi crucial para sua ascensão política. Após a violenta repressão aos manifestantes, o então ditador Deng Xiaoping decidiu promover Jiang Zemin. Ele foi nomeado o novo secretário-geral do PCCh, sucedendo Zhao Ziyang.
Zhao Ziyang, por sua vez, teve sua abordagem em relação aos manifestantes considerada branda pelo regime, o que selou sua queda. A nomeação de Jiang Zemin consolidou a linha dura do Partido Comunista Chinês e marcou o início de um longo período de governo sob sua liderança, período este que Xi Jinping agora elogia publicamente.
A busca pela “estabilidade social de longo prazo”
Xi Jinping reiterou o compromisso do regime com a manutenção da ordem e do controle, utilizando a memória de 1989 como um exemplo de sucesso na gestão de crises. A defesa da “estabilidade social de longo prazo” é frequentemente citada pelo governo chinês para justificar medidas de controle e repressão a qualquer tipo de dissidência.
O discurso reforça a narrativa oficial do Partido Comunista Chinês, que busca apresentar a repressão como um ato necessário para garantir o desenvolvimento econômico e a paz social no país. A exaltação da violência de 1989, no entanto, contrasta fortemente com os valores democráticos e os direitos humanos.