Gafes e Vacilos de Lula na Campanha Preocupam Aliados e Viram Munição para Oposição

Gafes e Vacilos de Lula na Campanha Preocupam Aliados e Viram Munição para Oposição

Resumo

Lula enfrenta série de gafes e lapsos que geram preocupação e críticas na campanha eleitoral

A exploração de vacilos e gafes por opositores é uma tática histórica em campanhas presidenciais. No caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esses episódios têm se avolumado, preocupando seu entorno, que busca limitar discursos de improviso. A tarefa, contudo, é considerada ingrata, dada a experiência e liderança do petista.

Analistas alertam para o aumento de falhas que afetam a credibilidade da comunicação do petista, além da preocupação com o desgaste físico diante do ritmo exigido pela campanha. Em menos de uma semana, a lista de deslizes chamou a atenção.

A sabatina na TV Globo, no fim de agosto, produziu momentos de inabilidade e falta de empatia. Um dos maiores constrangimentos ocorreu ao responder sobre ajuste fiscal, quando Lula tentou ensinar a apresentadora Renata Vasconcellos a conduzir a entrevista, em um episódio interpretado como mansplaining.

Lapsos sobre corrupção e desconhecimento de lobista geram polêmica

Outros deslizes de Lula ocorreram ao abordar o tema da corrupção. Pressionado sobre investigações envolvendo seu filho e fraudes no INSS, Lula demonstrou incômodo. Ao ser questionado sobre a lobista Roberta Luchsinger, o presidente afirmou desconhecê-la, mas declarações foram desmentidas por fotos que circularam nas redes sociais, mostrando-os juntos em 2022.

“Foi um erro primário. Um deputado de primeiro mandato não cometeria esse erro”, avalia o cientista político Leonardo Barreto, da Think Policy, ressaltando que a existência de fotos com a lobista seria previsível. Ele aponta que Lula sinaliza uma incapacidade de enfrentar a eleição, com a capacidade mental diminuída em ambientes abertos, gerando temor entre apoiadores.

Confusão com nomes e declarações sobre profissões geram críticas

Dias depois, em Belo Horizonte, Lula cometeu uma gafe ao confundir a atual primeira-dama, Janja, com sua falecida esposa, Marisa Letícia. “Perdi a Janja depois de 45 anos de casado”, disse, corrigindo-se em seguida. Essa não foi a primeira vez que o presidente cometeu esse lapso, tendo já chamado Janja de Marisa em fevereiro do mesmo ano.

A declaração que ganhou maior repercussão foi sobre a profissão de gari. Lula afirmou que é “muito pobre” e “não é uma profissão que dá orgulho”, comparando-a a profissões como engenheiro ou médico. A fala foi imediatamente explorada por adversários, que acusaram o presidente de humilhar os garis e desmerecer trabalhadores.

Grupos de garis responderam, afirmando ter orgulho de suas profissões. A polêmica chegou ao horário eleitoral, com o programa de Flávio Bolsonaro explorando a declaração e afirmando ser “vergonha um presidente da República diminuir a profissão de milhões de brasileiros”.

Especialistas analisam o impacto das gafes na campanha

Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium, considera as gafes de Lula parte da dinâmica esperada de uma disputa política polarizada, onde a oposição busca explorar qualquer erro. Já Adriano Gianturco, cientista político do IBMec, aponta a fala sobre os garis como a de maior impacto na população, por ser um tema mais acessível que corrupção ou déficit fiscal.

Gianturco atribui os deslizes à falta de adaptação de Lula ao dinamismo das redes sociais e à impulsividade. “Você coloca o microfone na boca dele e ele não se controla. Ele fala o que sai”, afirma, comparando a situação, com devidas proporções, à campanha de Joe Biden.

Leonardo Barreto concorda, apontando um processo semelhante ao de desgaste de Biden nos EUA, com uma quebra de confiança na capacidade de Lula. “Aquele mito da supercapacidade dele de fazer o impossível vai ficando mais frágil, e isso vai cobrando um preço da campanha”, analisa.

O impacto se soma ao cansaço do eleitorado e ao desgaste natural do incumbente. “Dentro desse concurso de rejeições que virou a eleição no Brasil, o Lula vai angariando antipatias”, pontua Barreto, levantando a questão da capacidade do presidente para governar.

Histórico de declarações controversas acompanha o presidente

Os episódios recentes se somam a um histórico de declarações de Lula que, ao longo de seu terceiro mandato, provocaram constrangimento ou críticas. Em abril de 2023, ao comentar ataques a uma creche, disse que havia “um problema de parafuso” em criminosos, gerando repúdio de organizações de saúde mental.

Em fevereiro de 2024, ao comparar a situação dos palestinos em Gaza ao Holocausto, Lula provocou uma crise diplomática com Israel, que o declarou persona non grata. Em outra ocasião, afirmou que não se poderia permitir a “hegemonia branca sobre o restante do país”, comparando a situação a uma tentativa de Hitler, o que levou a uma representação ao TSE por discurso de ódio.

Mulheres e outros temas sensíveis: alvo frequente de gafes

Com as mulheres, as gafes são recorrentes. Em 2023, Lula chamou a diretora-geral do FMI de “uma mulherzinha”. Meses depois, ao anunciar Gleisi Hoffmann na articulação política, justificou a escolha dizendo ter selecionado “uma mulher bonita”.

Neste ano, ao defender a independência financeira das mulheres, afirmou que aquelas com profissão não precisam depender do pai para comprar “um batom” ou “uma calcinha”. Em julho, ao comentar violência contra mulheres após jogos de futebol, brincou que, “se o cara é corintiano, tudo bem”.

Lula já confundiu outros nomes, como Dilma Rousseff com Irma Passoni. Ao sancionar a Lei Antifacção, afirmou que queria fazer do Brasil um dos países “mais respeitados do mundo no crime organizado”.

O alinhamento ideológico do presidente também chamou atenção. Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, disse que a decisão pelo conflito foi tomada “por dois países”. Da Venezuela de Nicolás Maduro, afirmou que “o conceito de democracia é relativo”. Em uma viagem ao G7, declarou: “eu nunca fui esquerdista”.

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