Irã investe em redes de influência no Brasil, unindo políticos e jornalistas para divulgar sua cultura e visão geopolítica.
O governo do Irã tem intensificado suas ações de comunicação no Brasil, buscando ativamente construir uma base de apoio e neutralizar a influência dos Estados Unidos. Essa estratégia se manifesta através de parcerias com figuras políticas, jornalistas e influenciadores digitais brasileiros, que são convidados para eventos e viagens financiadas a Teerã.
O objetivo central é a disseminação da cultura iraniana e a promoção de uma perspectiva geopolítica que se contrapõe ao que é descrito como o “imperialismo ocidental”. Essa iniciativa, conforme apurado pela Gazeta do Povo, visa reconfigurar a percepção brasileira sobre o Irã.
A metodologia empregada pelo Irã para angariar simpatizantes no Brasil foca na criação de redes de influência. Essas redes reúnem comunicadores de esquerda, criadores de conteúdo digital e personalidades políticas. Entidades como o Centro Islâmico no Brasil e a editora Arresala atuam como facilitadoras, organizando eventos e proporcionando viagens internacionais.
Políticos e Mídia Brasileira se Tornam Pontos-Chave na Estratégia Iraniana
Políticos brasileiros, notadamente do Partido dos Trabalhadores (PT), como o deputado estadual Mário Maurici, ocupam posições estratégicas. Maurici, por exemplo, coordena o Grupo de Amizade Brasil-Irã na Assembleia Legislativa de São Paulo. Veículos de comunicação e canais estatais, como a HispanTV Brasil, fornecem a infraestrutura necessária para a propagação dessas ideias.
Seminários realizados em São Paulo, com a presença de logos de sites como Brasil 247 e Opera Mundi ao lado de símbolos oficiais do Consulado Cultural do Irã, evidenciam essa colaboração. O discurso predominante nesses encontros defende o multilateralismo e critica veementemente as ações de Israel e dos Estados Unidos no cenário global.
Seminário em São Paulo Destaca Poder Militar Iraniano e Declínio dos EUA
Um recente seminário em São Paulo serviu como palco para a exaltação do potencial militar iraniano e a difusão da tese sobre o declínio dos Estados Unidos. Palestrantes presentes no evento afirmaram que o Irã teria conseguido impor desafios significativos ao governo americano em conflitos no Oriente Médio. Além das discussões geopolíticas e militares, o evento incluiu uma imersão cultural, com recitações do Alcorão e a participação de teólogos islâmicos, como o xeique Hossein Khaliloo.
O público teve acesso a materiais de divulgação turística e obras religiosas, com o intuito de desconstruir a imagem negativa do Irã, que, segundo os organizadores, é deliberadamente construída pela mídia internacional. A intenção é apresentar o país como uma nação resistente.
Objetivos do Irã no Brasil: Romper Isolamento e Moldar Percepção
O principal objetivo do Irã com essas iniciativas no Brasil é a formação de uma sólida base de apoio que contribua para romper seu isolamento internacional. Ao engajar influenciadores e jornalistas, o regime busca que a sociedade brasileira passe a enxergar o país não como um antagonista, mas como uma nação corajosa e resiliente. Há também uma preocupação com o futuro político interno do Brasil.
Debatedores sugeriram a necessidade de o Brasil fortalecer suas alianças internacionais para se defender de possíveis interferências externas. Foram mencionadas preocupações com interesses estrangeiros sobre as reservas de petróleo recém-descobertas na Amazônia, indicando uma visão de interdependência e defesa mútua em cenários geopolíticos complexos.