Juiz nega a Derrite pedido para apagar post do Estadão que o ligava a Daniel Vorcaro, citando censura prévia

Resumo

Juiz veta censura prévia e mantém postagem do Estadão que associa Guilherme Derrite a Daniel Vorcaro

O juiz Leandro Borges de Figueiredo, da 8ª Vara Cível de Brasília, negou um pedido de liminar feito pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) para remover uma postagem do Instagram do jornal O Estado de S.Paulo. A publicação associa o parlamentar ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e faz parte de uma reportagem intitulada “Vorcarosfera: a teia de Daniel Vorcaro em Brasília”.

A decisão, assinada nesta quarta-feira (1º), baseou-se no princípio de que a determinação judicial para retirar matéria jornalística ou conteúdo veiculado em meios de comunicação constitui uma providência excepcional. Isso ocorre por envolver restrições aos direitos fundamentais de **liberdade de imprensa e de expressão**, assegurados constitucionalmente.

O magistrado explicou que tal medida só se justifica quando há uma demonstração robusta e inequívoca da **falsidade da informação** divulgada ou da manifesta ilicitude da publicação. Para o juiz, atender ao pedido de Derrite equivaleria, em tese, à imposição de **censura prévia**, o que é incompatível com o regime constitucional.

Entenda a polêmica e o conteúdo da reportagem

A reportagem do Estadão cita avaliações do governo e do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, que indicam que alguns pontos do projeto de lei anticrime poderiam **limitar a atuação da PF** no caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. Uma das evidências apontadas é uma proposta apresentada no dia seguinte à prisão de Vorcaro, que sugeria que a PF só poderia investigar organizações criminosas mediante solicitação dos governadores e quando os fatos tivessem repercussão interestadual.

A assessoria de Guilherme Derrite informou que a postagem no Instagram, diferentemente da versão completa da reportagem, não detalhava o tipo de relação entre o deputado e Vorcaro. Uma correção posterior teria, segundo a assessoria, **poluído ainda mais a informação**, tornando-a menos clara. O parlamentar já havia classificado a tentativa de ligar o caso Master ao PL anticrime como “absolutamente falaciosa” e “politicamente oportunista”.

Estadão se defende e anuncia acompanhamento do caso

O jornal O Estado de S.Paulo alega ter recebido uma notificação extrajudicial na terça-feira (30) e se disse surpreendido com a ação judicial menos de 24 horas depois. O veículo de comunicação afirmou que apresentará sua **defesa nos autos** do processo e continuará acompanhando as próximas etapas da tramitação.

Além da exclusão da postagem, Derrite pedia que o Estadão fosse proibido de mencioná-lo em futuras publicações. O juiz, no entanto, considerou que tal providência representaria, em tese, uma censura prévia, o que não é permitido pela Constituição.

Liberdade de expressão em pauta no judiciário

O caso levanta importantes discussões sobre os limites da **liberdade de imprensa e de expressão** no Brasil. A decisão do juiz reforça a importância de garantir que o trabalho jornalístico possa ser realizado sem interferências indevidas, especialmente quando se trata de informações de interesse público.

A reportagem original, intitulada “‘Bancada do Master’ age para favorecer Vorcaro, blindar políticos, pressionar PF e BC e evitar CPI”, busca expor uma suposta articulação para proteger o empresário e influenciar investigações. A ação de Derrite buscava impedir a divulgação dessas informações, mas o judiciário entendeu que a **liberdade de imprensa** deve prevalecer, a menos que haja prova cabal de falsidade ou ilicitude.

Processo segue em andamento com novas etapas

O processo judicial continua em andamento, e o Estadão se comprometeu a apresentar sua defesa formalmente. A expectativa é de que novas decisões sejam tomadas à medida que o caso se desenvolva, mantendo o foco na proteção dos direitos fundamentais envolvidos.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a assessoria de Guilherme Derrite para obter manifestação sobre o caso, e o espaço permanece aberto para comentários.

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