Alexandre de Moraes concede prisão domiciliar ao pastor Márcio Poncio com tornozeleira eletrônica, em meio a investigações de lavagem de dinheiro e esquema do jogo do bicho.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, decidiu converter a prisão preventiva do pastor e empresário Márcio Poncio em prisão domiciliar. A medida atende a um pedido que considera o estado de saúde do investigado, impondo, contudo, uma série de medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Poncio, que estava preso desde a última quinta-feira (2), é investigado pela Polícia Federal na quinta fase da Operação Unha e Carne. Esta operação apura um suposto esquema de pagamentos envolvendo o jogo do bicho e a chamada “Máfia do Cigarro” a agentes públicos no Rio de Janeiro, além de investigações sobre lavagem de dinheiro.
A decisão de Moraes leva em conta que o pastor sofre de retocolite ulcerativa grave, já passou por cirurgia para retirada do intestino grosso e do reto, e necessita de tratamento médico contínuo. A gravidez de alto risco de sua esposa também foi um fator considerado para a substituição da prisão preventiva pela domiciliar, conforme divulgado pela fonte do conteúdo.
Detalhamento das Medidas Cautelares Impostas
Além da tornozeleira eletrônica para monitoramento, o ministro Alexandre de Moraes proibiu Márcio Poncio de manter contato, por qualquer meio, com os demais alvos da investigação. Ele também está impedido de utilizar redes sociais e teve seus passaportes apreendidos. A suspensão de eventuais registros de porte de arma de fogo em seu nome também foi determinada.
Operação Unha e Carne: Investigação Aprofundada
A quinta fase da Operação Unha e Carne, segundo a Polícia Federal, busca aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro comandado pela cúpula do jogo do bicho. A operação também apura possíveis ramificações da organização criminosa com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
Esta operação é um desdobramento da Operação Fumus, iniciada em junho de 2021 para investigar o monopólio do comércio ilegal de cigarros na Região Metropolitana do Rio. Na ocasião, a PF apreendeu planilhas que continham registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras ligadas à lavagem de dinheiro.
Conexões com o Jogo do Bicho e a “Máfia do Cigarro”
Márcio Poncio, pastor da Igreja da Nuvem e empresário, é pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio. A Polícia Federal suspeita de sua ligação com a “Máfia do Cigarro”. Outros alvos na mesma fase da operação incluem o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado como uma das principais lideranças do jogo do bicho no estado, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam presos.
Documentos apreendidos na Operação Fumus indicavam possíveis repasses de recursos a agentes políticos fluminenses. Investigações da TV Globo apontaram que pelo menos 20 políticos passaram a ser investigados por supostamente receber pagamentos periódicos de Adilsinho. O contraventor foi preso em fevereiro deste ano.
Investigações em Andamento e Suspeitas sobre Políticos
Em abril, o ministro do STF Gilmar Mendes mencionou relatos de um diretor da Polícia Federal sobre mais de 30 deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que receberiam pagamentos mensais oriundos do esquema do jogo do bicho. As investigações sobre essas suspeitas seguem em andamento, e nenhuma conclusão judicial sobre os fatos apurados foi apresentada até o momento, conforme as informações das fontes.