Governo Lula Anuncia Retaliação ao Tarifaço dos EUA e Culpa Família Bolsonaro por "Falsos Patriotas"

Governo Lula Anuncia Retaliação ao Tarifaço dos EUA e Culpa Família Bolsonaro por “Falsos Patriotas”

Resumo

Brasil reage a tarifas dos EUA com promessa de retaliação e acusa família Bolsonaro de traição.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu enfaticamente ao anúncio dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa de 25% sobre importações brasileiras. Em nota oficial, o Palácio do Planalto classificou a medida como um “marco lastimável” para as relações bilaterais.

A resposta imediata do governo brasileiro foi o anúncio de que serão iniciados os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade. Essa legislação permite ao Brasil aplicar medidas equivalentes contra países que impõem restrições comerciais de forma unilateral, um sinal claro de que o país não aceitará passivamente a sanção americana.

A gestão petista foi além, acusando diretamente a família do ex-presidente Jair Bolsonaro de colaborar ativamente com as investigações americanas. Segundo o Planalto, essa colaboração teve como objetivo prejudicar o Brasil por motivos eleitoreiros, rotulando-os de “falsos patriotas”.

“É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro… Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições”, declarou o governo, enfatizando que a proteção da soberania nacional está acima de qualquer interesse partidário.

Flávio Bolsonaro defendeu o adiamento das tarifas, criticando o momento da sanção.

A polêmica ganhou contornos ainda mais definidos com declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. Durante uma audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) em 7 de maio, ele defendeu o adiamento do tarifaço. Segundo ele, a sanção poderia beneficiar o governo Lula nas eleições.

“Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter, premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências, seria o pior momento possível para agir”, afirmou o senador, evidenciando uma linha de argumentação que o governo atual considera prejudicial ao país.

EUA apontam falta de empenho do Brasil e Lula teria colocado ego à frente de acordo.

Em contraponto, o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou no início da madrugada desta quinta-feira (16) que o presidente Lula teria colocado seu “ego à frente de fechar um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro”. Essa declaração sugere uma visão americana de que o Brasil não demonstrou flexibilidade suficiente nas negociações.

Por sua vez, o chefe do Escritório do Representante Comercial (USTR), Jamieson Greer, apontou, segundo relatos da emissora CNN, uma falta de empenho do governo brasileiro nas negociações. Greer teria afirmado que houve pouca iniciativa do Brasil para melhorar a relação comercial entre os dois países, contrariando a visão do governo brasileiro.

Brasil questionará tarifas na OMC e reforçará plano para mitigar danos econômicos.

O governo brasileiro, apesar de afirmar que “não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio”, garantiu que nunca abandonou a mesa de negociação para defender os interesses nacionais. A decisão dos EUA de impor as tarifas entrará em vigor em 22 de julho, com a alegação de que as consultas com o Brasil não resolveram satisfatoriamente as preocupações americanas sobre acesso ao mercado de etanol e proteção de propriedade intelectual.

Para mitigar os efeitos da nova política comercial, o governo brasileiro informou que, além de acionar a Lei da Reciprocidade, questionará a legalidade das tarifas na Organização Mundial do Comércio (OMC). O Plano Brasil Soberano será intensificado para proteger os setores produtivos afetados, visando preservar a capacidade industrial e a renda da população.

O governo reforçou ainda que continuará buscando novas parcerias comerciais, citando como exemplos os acordos recentes do Mercosul com a União Europeia, Singapura e a Associação Europeia de Livre Comércio, como parte de uma estratégia para diversificar e fortalecer a economia nacional diante de barreiras comerciais.

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