Lula e as Promessas Furadas: O Que o Governo Entregou e o Que Ficou Pelo Caminho em Menos de um Semestre para o Fim do Mandato

Lula e as Promessas Furadas: O Que o Governo Entregou e o Que Ficou Pelo Caminho em Menos de um Semestre para o Fim do Mandato

Resumo

Lula e as Promessas Não Cumpridas: Um Balanço Crítico do Mandato

Com o fim do terceiro mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva se aproximando, uma análise das promessas de campanha revela um cenário de expectativas frustradas para diversos setores da sociedade brasileira.

Desde a redução de preços de itens básicos até a reestruturação de ministérios e a universalização de serviços essenciais, muitas das propostas apresentadas ao eleitorado em 2022 parecem ter ficado pelo caminho, gerando questionamentos sobre a efetividade da gestão.

A Gazeta do Povo, em levantamento que também utilizou dados do site G1, compilou uma lista de dez promessas de campanha que não se concretizaram, oferecendo um panorama crítico do que foi apresentado e do que foi entregue até agora.

Fim dos Sigilos de 100 Anos: Uma Promessa Ignorada

Uma das bandeiras de campanha de Lula foi o fim dos sigilos de 100 anos, prática herdada do governo anterior. Embora tenha, em um primeiro momento, derrubado alguns sigilos, o próprio presidente retomou a medida em 2023, ao impor sigilo de um século à agenda da primeira-dama, Janja da Silva. A Controladoria-Geral da União (CGU) editou uma norma que flexibilizou os prazos, mas a prática de sigilos, ainda que com durações menores, persiste, contrariando a promessa de transparência total.

Saúde e Saneamento: Avanços Insuficientes para Universalização

A promessa de universalizar o acesso à energia elétrica, água e serviços de esgoto enfrenta desafios significativos. Enquanto a energia elétrica se aproxima da universalização, com 99% da população atendida, o acesso à água potável ainda é uma realidade distante para 33 milhões de brasileiros, segundo dados do Instituto Trata Brasil. A falta de coleta e tratamento de esgoto afeta ainda mais pessoas, com 90 milhões sem coleta e metade do esgoto coletado sem tratamento.

Na área da saúde, a meta de zerar as filas de consultas, exames e cirurgias eletivas criadas durante a pandemia de Covid-19 também se mostra ambiciosa demais. Apesar de programas como o “Agora Tem Especialistas”, que realizou milhões de procedimentos, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) aponta a impossibilidade de determinar o tamanho real da fila, indicando que a promessa de zerar a espera ainda está longe de ser cumprida.

Segurança Pública e Orçamento Secreto: Reformas Pendentes

A recriação do Ministério da Segurança Pública, separando-o da Justiça, foi outra promessa que não se concretizou. A ideia, que visava coordenar políticas nacionais e apoiar governadores, foi deixada de lado após recomendações internas. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tentava centralizar o poder sobre as polícias nas mãos do governo federal está parada no Congresso, sem previsão de avanço.

Da mesma forma, o fim do “orçamento secreto” no Congresso Nacional, prática de destinação de verbas públicas sem transparência, não foi efetivamente erradicado. Embora o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha proibido o modelo em 2022, novas práticas similares surgiram, com bilhões de reais sendo distribuídos sem clareza sobre os responsáveis pelas indicações. Um relatório da Transparência Brasil aponta que lideranças de sete partidos ocultaram a autoria de R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão em 2025.

Direitos Trabalhistas e Apps: Avanços Lentos e Controvertidos

A revisão da reforma trabalhista de 2017, que prometia ampliar a proteção social, não avançou no Congresso. O governo tem priorizado a divulgação de dados positivos sobre a criação de empregos formais, mas não apresentou propostas estruturadas para reverter pontos da reforma, citando riscos de insegurança jurídica e desestímulo a investimentos.

A regulamentação dos direitos para trabalhadores de aplicativos também se encontra em um impasse. Grupos de trabalho foram criados, mas o processo terminou sem consenso, com empresas alegando inviabilidade econômica e trabalhadores considerando as garantias insuficientes. A promessa de assegurar dignidade e proteção social a esses trabalhadores ainda busca um caminho para se concretizar.

O Símbolo da Picanha e da Cerveja: Uma Promessa de Difícil Cumprimento

Talvez a mais emblemática e criticada promessa de campanha de Lula tenha sido a de baixar o preço da picanha e da cerveja, para que “o povo volte a comer um churrasquinho”. Apesar de o presidente afirmar não ter esquecido o compromisso e citar uma queda inicial nos preços da carne, os anos seguintes viram altas consecutivas. Dados do IPCA, divulgados pelo IBGE, mostram que em 2025 a carne subiu 2,82% e a cerveja 5,97%. Uma pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas em abril de 2025 revelou que 68,4% dos brasileiros acreditavam que teriam dificuldades em comprar esses itens até o fim do governo.

A Contradição da Reeleição: De Um Mandato a Potencial Quarto Mandato

Uma das promessas mais indefensáveis quebradas por Lula é a de cumprir apenas um mandato. Durante a campanha de 2022, o petista afirmou categoricamente em suas redes sociais que, se eleito, faria “um mandato só”. No entanto, em outubro de 2025, durante uma viagem à Indonésia, Lula declarou publicamente sua intenção de disputar um quarto mandato. Essa mudança de posição foi vista por adversários como um sinal de incoerência e apego ao poder, contrariando a imagem que buscava construir para o eleitorado.

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