Operação PF mira parentes de vice-líder de Lula e amigo de Flávio Bolsonaro em esquema de R$ 6,3 bi do INSS

Operação PF mira parentes de vice-líder de Lula e amigo de Flávio Bolsonaro em esquema de R$ 6,3 bi do INSS

Resumo

PF investiga esquema bilionário de fraudes no INSS e mira parentes de Weverton Rocha e amigo de Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (4) uma nova fase da Operação Sem Desconto, focada em desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação mira especificamente a movimentação de R$ 6,3 bilhões em descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

Entre os alvos da nova etapa estão a esposa, a filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA), que ocupa a posição de vice-líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado. Além deles, o advogado Willer Tomaz, conhecido por sua proximidade com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também foi alvo de mandados judiciais.

A operação, que cumpre 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão, busca identificar os beneficiários e os métodos utilizados para ocultar a origem e o destino dos recursos desviados. Conforme apurado pela Gazeta do Povo com fontes ligadas à investigação, o senador Weverton Rocha, embora não seja alvo direto desta fase, permanece entre os investigados pela PF. As informações foram divulgadas pela reportagem.

Família de Weverton Rocha e advogado Willer Tomaz na mira da PF

A nova fase da Operação Sem Desconto concentra seus esforços na identificação de movimentações financeiras e patrimoniais suspeitas. A investigação aponta indícios de que o esquema utilizou pessoas físicas e jurídicas, contas de terceiros, estruturas empresariais e operações com dinheiro em espécie para lavar os valores obtidos ilegalmente. O objetivo principal é rastrear a origem dos recursos, a finalidade dos repasses e a participação de cada envolvido.

O advogado Willer Tomaz, em nota oficial, esclareceu que sua inclusão na operação se deu unicamente por ser proprietário de uma aeronave utilizada em caráter particular pelo senador Weverton Rocha em uma viagem de conhecimento público. Tomaz reiterou não possuir qualquer vínculo com o esquema de fraudes previdenciárias e que a disponibilização da aeronave foi um ato pessoal e amistoso.

Weverton Rocha sob investigação desde fases anteriores

Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o senador Weverton Rocha tenha mantido ligações com operadores do esquema e possa ter se beneficiado de operações financeiras supostamente ligadas à organização criminosa. O senador tem negado irregularidades e se colocado à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. Em fases anteriores da operação, a PF chegou a solicitar a prisão preventiva de Weverton Rocha, pedido que foi rejeitado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na ocasião, o magistrado autorizou apenas medidas cautelares, como busca e apreensão, e ressaltou a necessidade de continuidade das investigações para esclarecer os fatos. A investigação busca, agora, detalhar como os recursos foram movimentados e quem se beneficiou diretamente dos valores desviados do INSS.

Proximidade de Willer Tomaz com Flávio Bolsonaro e histórico judicial

Willer Tomaz é apontado como amigo pessoal do senador Flávio Bolsonaro e já recebeu manifestações públicas de apoio do parlamentar durante a CPI da Covid-19. O advogado possui um histórico judicial relevante, tendo sido preso em 2017 na Operação Patmos, um desdobramento das delações da JBS e do grupo J&F. Naquela ocasião, foi acusado de intermediar propinas e obter informações sigilosas da Operação Greenfield com o auxílio de um procurador da República.

Mais recentemente, Tomaz atuou na defesa de Flávio Bolsonaro em um caso envolvendo a emissão de notas fiscais para a Copenhagen Consultoria, apontada como empresa de fachada utilizada para movimentar cerca de R$ 58 milhões. O advogado reiterou sua total cooperação com as autoridades e sua confiança na apuração imparcial dos fatos.

Estimativa de R$ 6,3 bilhões em desvios no INSS

Desde o início da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal estima que os desvios provocados pelos descontos irregulares em benefícios do INSS, ocorridos entre 2019 e 2024, possam ter alcançado a cifra de R$ 6,3 bilhões. As apreensões realizadas pela PF nesta fase da operação incluem uma grande quantidade de dinheiro em espécie, com notas de real, e uma máquina de contar cédulas, evidenciando a dimensão financeira do esquema investigado.

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