Flávio Bolsonaro promete “espelhar” gestão do pai e lamenta racha na família em entrevista
O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), revelou em entrevista ao Flow Podcast que pretende “espelhar as boas práticas” implementadas por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, caso seja eleito. Ele também expressou lamento pelo afastamento de Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, da família.
Durante a conversa, Flávio Bolsonaro abordou uma série de pautas, com foco especial em segurança pública, como a castração química para estupradores e o endurecimento de penas para latrocidas. Ele também elogiou o critério de Jair Bolsonaro na escolha de ministros, prometendo seguir a mesma linha, mas com a exigência adicional de que seus futuros ministros saibam lidar com a política em Brasília.
O senador relembrou o início da carreira política do pai, destacando a importância das redes sociais para sua projeção. Para Flávio, a internet foi fundamental para que a população conhecesse um político que compartilhava de suas angústias e aspirações. A entrevista, que abordou diversos temas, foi divulgada nesta quarta-feira (15) e trouxe detalhes sobre as propostas e visões do pré-candidato para o futuro do país, conforme informações divulgadas pelo próprio senador.
Propostas e Críticas à Gestão Pública
Flávio Bolsonaro detalhou que, em uma eventual gestão, pretende dar continuidade a políticas de segurança pública alinhadas com os princípios defendidos por Jair Bolsonaro. Ele citou especificamente a castração química para estupradores e o endurecimento das penas para latrocidas como exemplos de pautas que pretende priorizar.
Além disso, o senador elogiou o método de Jair Bolsonaro para a escolha de ministros, afirmando que seguirá a mesma linha. No entanto, acrescentou que, além da competência técnica, seus ministros deverão possuir habilidade para navegar no cenário político de Brasília, demonstrando a importância de um equilíbrio entre expertise e jogo político.
O pré-candidato também reconheceu o papel da imprensa, mas criticou a cobertura que considera enviesada, dando mais destaque a “narrativas” do que aos fatos. Ele expressou o desejo de manter uma boa relação com todos os veículos de comunicação, mas ressaltou a importância de uma cobertura imparcial.
Críticas ao STF e a Ministros Específicos
Um dos pontos de maior destaque na entrevista foi a crítica de Flávio Bolsonaro à atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com menções específicas a Alexandre de Moraes e Flávio Dino. O senador acusou Moraes de manter seu pai “como sequestrado” e de interferir na disputa eleitoral por meio de decisões recentes, como a que o impediu de visitar Bolsonaro.
Segundo Flávio, Moraes e Dino estariam articulando para que a Primeira Turma do STF assuma decisões que deveriam ser exclusivas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele argumentou que essa manobra visa criar um “bypass” para que o PT possa acionar diretamente a Primeira Turma em vez do TSE, agilizando punições como a retirada de perfis do ar ou suspensões, o que, para ele, desequilibra o processo eleitoral.
O senador também apontou que o desequilíbrio entre os Poderes chegou a um ponto em que a decisão do eleitor sobre candidatos ao Senado estaria condicionada à posição de cada um em relação ao afastamento de Alexandre de Moraes, transformando o “impeachment” em uma pauta nacional. Essa visão reflete a preocupação de Flávio Bolsonaro com a autonomia e a separação dos poderes no Brasil.
Propostas Econômicas e Relações Internacionais
Flávio Bolsonaro abordou a economia, criticando a gestão do governo Lula e apontando a alta carga tributária e a insegurança jurídica como os principais entraves para o investimento no país. Ele afirmou que o Brasil “está quebrado” e que o governo Lula “enrolou todo mundo em dívidas”, impedindo a atração de investidores estrangeiros.
Em relação à política externa, o senador criticou a postura do governo Lula, citando as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Ele atribuiu o agravamento dessa relação às críticas de Lula ao então presidente americano Donald Trump e mencionou tentativas de sua parte para sensibilizar Trump a evitar o tarifação. A sobretaxa chinesa sobre a carne brasileira e a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de exportadores de carne também foram pontos levantados.
Sobre o Bolsa Família, Flávio propôs a ampliação do programa, permitindo que beneficiários permaneçam nele mesmo após conseguirem emprego formal ou abrirem um pequeno negócio. A ideia é manter o auxílio até que o indivíduo demonstre plena capacidade de subsistência sem o apoio governamental, caracterizando o programa como um meio de “mobilidade social”.
Racha Familiar e Perspectivas Eleitorais
Em um momento mais pessoal da entrevista, Flávio Bolsonaro comentou o recente racha na família, especialmente o desgaste na relação com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ele declarou não ter mais relação com Michelle e pediu compreensão para sua dedicação à campanha, enfatizando que o “inimigo do Brasil está do outro lado”.
“Estou em uma missão e espero que todo mundo compreenda que o inimigo do Brasil está do outro lado. Isso é uma questão de bom senso e de fidelidade ao presidente Bolsonaro”, declarou. Ele complementou dizendo que, embora respeite Michelle como a mulher de seu pai, já está focado na pré-campanha há sete meses.
Flávio também expressou otimismo em relação às pesquisas eleitorais, que o colocam com boas chances de derrotar o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele disse ter incentivado outros pré-candidatos da direita a manterem suas candidaturas para ampliar a oposição à esquerda, mas lamentou que alguns deles tenham passado a atacá-lo, possivelmente por orientação de marqueteiros, ao se verem diante do candidato que lidera as pesquisas.