Fim da “taxa das blusinhas” é celebrado pelo Governo Federal, que agora busca capitalizar em cima da revogação de imposto criado pela própria gestão.
O Governo Federal utilizou suas redes sociais para exaltar o fim da chamada “taxa das blusinhas”, um imposto sobre compras internacionais de baixo valor. A medida provisória que extinguiu a cobrança foi assinada pelo presidente Lula minutos antes das divulgações nas plataformas digitais.
A equipe governamental comemorou a revogação nas contas do X e do Instagram, declarando que “O Governo do Brasil tá do lado do povo brasileiro”. A iniciativa surge a poucos meses das eleições municipais, em uma clara estratégia de resgate de popularidade.
A “taxa das blusinhas” vigorava desde meados de 2024 e incidia sobre a importação de 20% em compras internacionais de até US$ 50 em plataformas populares como Shein, Shopee e AliExpress. A revogação foi anunciada de surpresa no Palácio do Planalto, conforme divulgado pelo Governo Federal.
Imposto impopular e impacto eleitoral
A cobrança do imposto sobre compras internacionais de pequeno valor era vista como um dos principais entraves à popularidade do governo federal em ano eleitoral. Uma pesquisa realizada em abril revelou que **62% dos brasileiros consideravam a cobrança um erro**, evidenciando a insatisfação popular com a medida.
Defesa da indústria e arrecadação recorde
Apesar da impopularidade, a “taxa das blusinhas” contava com o apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade argumentava que a manutenção do imposto era crucial para a preservação de cerca de **100 mil empregos** no setor industrial nacional. Dados da Secretaria da Receita Federal indicam que a arrecadação com o imposto sobre encomendas internacionais atingiu um valor recorde em 2025, chegando a **R$ 5 bilhões**. Em 2024, a arrecadação já havia sido a maior da série histórica, totalizando **R$ 2,88 bilhões**.
O que muda para o consumidor
Com a nova medida provisória, as compras internacionais de até US$ 50 ficam isentas da taxa de importação de 20%. No entanto, para valores **acima de US$ 50, a tributação de até 60% permanece**, com um desconto fixo de US$ 20. O programa Remessa Conforme, que regulamentava essa tributação, havia entrado em vigor em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional.
Aliados celebram a revogação
Além da comunicação oficial do governo, aliados políticos também celebraram a decisão. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, escreveu em suas redes sociais: “Lula acaba de revogar a taxa da blusinhas!”. A medida, portanto, busca atender a uma demanda popular e, ao mesmo tempo, reforçar a imagem do governo em um período sensível para a aprovação pública.