Prefeito baiano é investigado por ameaçar demitir servidores que não apoiarem governador do PT

Prefeito baiano é investigado por ameaçar demitir servidores que não apoiarem governador do PT

Resumo

MPE investiga fala de prefeito baiano sobre apoio a governador do PT

O Ministério Público Eleitoral (MPE) abriu um procedimento para investigar as declarações do prefeito de Érico Cardoso, na Bahia, Eraldo Félix (Republicanos). Ele teria dito que mandaria embora quem não apoiasse a reeleição do governador petista Jerônimo Rodrigues.

As falas, registradas em vídeo e divulgadas nas redes sociais, foram feitas ao lado do vice-prefeito Deivison Mendonça (PT). Félix utilizou analogias com o futebol para expressar sua expectativa de alinhamento político dos servidores municipais.

A investigação do MPE busca determinar se houve uso da estrutura da prefeitura para constranger servidores e influenciar a liberdade de escolha eleitoral. A legislação eleitoral brasileira garante o voto livre e secreto, proibindo práticas de pressão ou coação. Conforme informação divulgada pelo Ministério Público Eleitoral, o procedimento foi instaurado na quinta-feira (16).

Metáforas futebolísticas e cobrança de apoio

No vídeo, o prefeito Eraldo Félix comparou a disputa política a uma partida de futebol, afirmando que na administração municipal existe apenas “um técnico”, em referência ao comando da prefeitura. Ele declarou que a intenção era deixar as “regras claras” antes do período eleitoral.

Félix mencionou que não desejava ferir a liberdade de expressão, mas cobrou o apoio daqueles que, em sua visão, estariam se beneficiando da gestão atual. “Queremos deixar bem claro para a população de Água Quente [antigo nome de Érico Cardoso], aquele que não tiver a fim de fazer parte desse time, pede para sair logo agora”, declarou o prefeito.

Ele acrescentou: “Porque a hora é agora, para não me dar sequer a decepção de ter que mandá-los embora”. Segundo o prefeito, quem não concordasse com o posicionamento político da gestão deveria se retirar para evitar uma demissão futura, que ele disse fazer “com a maior serenidade e tranquilidade possível”, caso fosse necessária.

MPE analisa possível constrangimento eleitoral

O procedimento instaurado pelo MPE tem como objetivo avaliar se ocorreu o uso indevido da estrutura da prefeitura para influenciar a decisão dos servidores. A legislação eleitoral é clara ao garantir que o voto é livre e secreto, e ao proibir qualquer tipo de pressão ou coação sobre os eleitores.

Um trecho da nota oficial divulgada na quinta-feira (16), assinada pelo Promotor de Justiça Victor de Araújo Fagundes, da 111ª Zona Eleitoral de Paramirim, informa que “ainda na data de ontem, foi instaurado o competente procedimento, com remessa do expediente ao Procurador Regional Eleitoral para a adoção das medidas judiciais cabíveis”.

Prefeitura não se manifesta sobre o caso

A reportagem entrou em contato com o gabinete do prefeito Eraldo Félix para obter um posicionamento sobre as declarações e a investigação do MPE. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O jornal permanece aberto para publicar a manifestação do prefeito, caso ela seja enviada posteriormente.

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