Servidores do IBGE avaliam greve nacional contra gestão de Marcio Pochmann e cortes de verbas
A categoria de servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está em vias de deflagrar uma greve nacional, com data marcada para o dia 5 de agosto. A Associação dos Servidores do IBGE (ASSIBG) iniciou na quarta-feira, 15 de maio, uma série de assembleias para discutir e deliberar sobre a paralisação.
A decisão surge em meio a um clima de forte tensão entre os servidores e o presidente do órgão, Marcio Pochmann. A ASSIBGE acusa Pochmann de adotar uma postura autoritária, o que tem intensificado o descontentamento geral. A situação se agrava com os recentes cortes em gratificações destinadas aos trabalhadores do Censo e na chamada indenização de campo, verba utilizada para cobrir despesas de deslocamento durante a coleta de dados.
Conforme comunicado pela entidade sindical, Pochmann tem se negado a dialogar com os representantes da categoria, travando as negociações e aprofundando uma crise que se arrasta desde o início de sua gestão. A recusa em debater o futuro do IBGE tem sido um dos principais pontos de atrito, conforme informações divulgadas pela entidade. O presidente do IBGE também foi alvo de uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU).
Demissão e Suspeita de Interferência em Dados do PIB
A representação no TCU foi motivada pela demissão de Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais, que ocupava o cargo há anos. O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas (MPTCU) levantou suspeitas de uma possível tentativa de interferência nos dados do Produto Interno Bruto (PIB). A nota do MPTCU ressalta o perigo de “descrédito nas estatísticas oficiais”, o que pode causar “elevado potencial de causar dano ao erário”, indicando que esse descrédito “já deve estar ocorrendo em alguma medida”.
Promessas de Gestão e Propostas Rejeitadas
A posse de Marcio Pochmann no IBGE ocorreu com a promessa de atender às reivindicações da categoria, incluindo a realização de um congresso institucional. No entanto, este foi substituído pelo projeto “Diálogos IBGE”, que, segundo o sindicato, deturpa o formato original planejado para a elaboração de um planejamento estratégico. O projeto abriu margem para o registro da Fundação IBGE+, visando investimentos privados em estatísticas, mas a ideia foi posteriormente abandonada pelo governo e o instituto extinto por determinação do TCU.
Cortes de Verbas e Futuro do Órgão em Jogo
A paralisação em discussão visa pressionar por melhores condições de trabalho e pela revisão dos cortes de gratificações e indenizações de campo. Os servidores buscam garantir a autonomia e a qualidade das estatísticas produzidas pelo IBGE, fundamentais para a formulação de políticas públicas e para a compreensão da realidade socioeconômica do país. A possibilidade de greve acende um alerta sobre o futuro do órgão e a importância de um diálogo transparente entre a gestão e seus colaboradores.
A Gazeta do Povo buscou contato com o IBGE para obter um posicionamento sobre as alegações e a possível greve. O espaço permanece aberto para manifestação da autarquia.