Flávio Bolsonaro promete “espelhar” gestão do pai e lamenta racha familiar com Michelle
O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), declarou em entrevista ao Flow Podcast que pretende “espelhar as boas práticas” adotadas por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, caso seja eleito. Flávio também expressou pesar pelo distanciamento na relação familiar com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, citando o desgaste após recentes desentendimentos.
Durante a conversa, Flávio Bolsonaro detalhou propostas em áreas como segurança pública, defendendo a castração química para estupradores e penas mais rigorosas para latrocidas, alinhado com o discurso do ex-presidente. Ele também elogiou o critério de Jair Bolsonaro na escolha de ministros e prometeu seguir a mesma linha, mas com a ressalva de que seus futuros ministros deverão ter habilidade política em Brasília.
O senador rememorou o início da carreira política de Jair Bolsonaro, atribuindo sua projeção inicial à forte presença nas redes sociais, que permitiu que o público se identificasse com suas angústias e aspirações. Flávio também reconheceu a importância da imprensa, mas criticou a cobertura que, segundo ele, prioriza “narrativas” em detrimento da imparcialidade.
Críticas ao STF e a ministros específicos
Flávio Bolsonaro direcionou críticas à atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com destaque para Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Ele alegou que Moraes mantém seu pai “como sequestrado” e que decisões recentes, como a proibição de visitas, poderiam indicar interferência na disputa eleitoral. O senador acusou Moraes e Dino de tentarem criar precedentes para que a Primeira Turma do STF assuma decisões que seriam de competência exclusiva do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Eles estão fazendo uma articulação para que essa Primeira Turma do Supremo seja uma espécie de bypass do Tribunal Superior Eleitoral durante as eleições,” afirmou Flávio, detalhando que a intenção seria permitir que a Primeira Turma do STF tome decisões rápidas, como a remoção de conteúdo online, em detrimento do TSE.
Segundo o senador, o desequilíbrio entre os Poderes chegou a um ponto em que a decisão do eleitor sobre candidatos ao Senado estaria atrelada à posição deles em relação ao afastamento de Alexandre de Moraes, com o impeachment do ministro tornando-se uma “pauta nacional”.
Propostas econômicas e políticas externas
Em outro ponto da entrevista, Flávio Bolsonaro manifestou a intenção de ampliar o Bolsa Família, classificando-o como “o maior programa de mobilidade” do país. A proposta inclui manter o beneficiário no programa mesmo após conquistar um emprego formal ou abrir um pequeno negócio, sob o argumento de que a tutela estatal é necessária até que a pessoa demonstre autonomia financeira.
O senador também se posicionou contra a reeleição, argumentando que o fim dessa prática poderia inibir medidas eleitoreiras durante os mandatos. Flávio criticou a condução econômica do governo Lula, apontando a alta carga tributária e a insegurança jurídica como os principais problemas do Brasil. “O Brasil está quebrado. O governo Lula enrolou todo mundo em dívidas,” declarou.
Em relação à política externa, Flávio criticou tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, atribuindo o agravamento da relação bilateral às críticas de Lula a Donald Trump. Ele também mencionou a sobretaxa chinesa sobre a carne brasileira e a exclusão do país da lista de exportadores de carne pela União Europeia.
Relação com Daniel Vorcaro e racha familiar
Questionado sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, Flávio Bolsonaro afirmou que o procurou para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro antes de qualquer notícia sobre investigações da Polícia Federal. Ao comentar o racha familiar com Michelle Bolsonaro, disse: “Hoje em dia, não tenho relação com a Michelle.” Ele enfatizou a importância de manter o foco na campanha contra o “inimigo do Brasil” do outro lado político e expressou respeito por quem não pudesse se juntar à campanha neste momento.
“Ela é a mulher do meu pai e eu a respeito, mas já estou em pré-campanha há sete meses”, completou, indicando que, apesar do descontentamento, sua prioridade é a disputa eleitoral.