Flávio Bolsonaro desafia Alexandre de Moraes e promete resistência contra “tirania” após novas restrições a Jair Bolsonaro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, declarou neste sábado (18) que não se curvará a “tirano nenhum”, em forte reação às novas restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao ex-presidente Jair Bolsonaro. As medidas, anunciadas na sexta-feira (17), ampliam o isolamento do ex-presidente, que se encontra em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
Em discurso durante o lançamento da pré-candidatura de Maguinha Malta (PL) ao Senado, no Espírito Santo, Flávio Bolsonaro criticou veementemente a atuação de Moraes, acusando-o de concentrar poderes de forma indevida e de agir como um “tirano”. As declarações ganham peso no cenário político, reforçando a tensão entre o Judiciário e a oposição.
A fala do senador ocorre em um momento de acirramento das investigações e restrições impostas a figuras ligadas ao ex-presidente. A determinação de Moraes de suspender visitas a Jair Bolsonaro e proibir manifestações político-eleitorais até 2026 acende o debate sobre os limites da atuação judicial e a liberdade política no país, conforme divulgado pelo próprio senador.
Moraes restringe visitas e contatos de Jair Bolsonaro
Na sexta-feira (17), o ministro Alexandre de Moraes determinou a suspensão de todas as visitas a Jair Bolsonaro por 30 dias, incluindo familiares. Apenas profissionais de saúde e advogados estão autorizados a visitar o ex-presidente. Além disso, visitas com fins político-eleitorais foram proibidas até o final das eleições de 2026, assim como a divulgação de manifestações políticas, mesmo que por terceiros.
Para Flávio Bolsonaro, a restrição de 90 dias para visitar o pai, imposta após a divulgação de uma carta de Jair Bolsonaro em apoio à sua pré-candidatura presidencial em 11 de julho, permanece em vigor. Essas medidas visam, segundo o STF, a impedir a continuidade de atividades que possam configurar tentativa de desestabilização institucional.
Flávio Bolsonaro promete anistia e mais autonomia para a PF
Em seu discurso, Flávio Bolsonaro reiterou seu compromisso com a anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Ele afirmou que, caso eleito presidente, pretende subir a rampa do Palácio do Planalto acompanhado dessas pessoas, como um gesto simbólico de perdão e reconciliação. A proposta de anistia é um dos pontos centrais de sua plataforma política.
O senador também voltou a questionar a atuação de Alexandre de Moraes, levantando suspeitas sobre a conduta do ministro e sua família, e defendeu a necessidade de que todos, incluindo autoridades, estejam sujeitos à lei. “Por que ele acha que pode? Por que a esposa dele recebe R$ 129 milhões?”, questionou, referindo-se a supostos valores recebidos pela esposa de Moraes em atividades advocatícias.
Promessas de autonomia e valorização da Polícia Federal
Flávio Bolsonaro também prometeu, caso eleito, conceder maior autonomia à Polícia Federal. Segundo ele, as instituições estão “aparelhadas” e os policiais federais voltarão a ter liberdade para investigar “bandido de verdade” e serão valorizados a partir de 2027. A declaração sugere uma reorientação nas prioridades de atuação da PF.
Ele criticou aqueles que, segundo sua visão, “estão se prestando ao papel de destruir o país, cumprindo ordens ilegais”. A fala reforça o discurso de oposição a o que ele e seus apoiadores consideram um “ativismo judicial” e um uso indevido do poder por parte de alguns membros do Judiciário, especialmente o ministro Alexandre de Moraes.