Um ano de silêncio: Bolsonaro completa 365 dias fora das redes sociais após decisão do STF de Alexandre de Moraes

Um ano de silêncio: Bolsonaro completa 365 dias fora das redes sociais após decisão do STF de Alexandre de Moraes

Resumo

Um ano de silêncio digital para Bolsonaro: a proibição de redes sociais e seus efeitos na política

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que vetou o uso de redes sociais por Jair Bolsonaro, completa um ano neste fim de semana. A restrição, determinada em 18 de julho de 2025, segue em vigor e continua a moldar a influência do ex-presidente e de seus aliados no cenário político brasileiro.

A medida surgiu antes mesmo da condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por suposta liderança em uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Na época, Moraes justificou a proibição ao entender que Bolsonaro utilizava as plataformas para amplificar declarações de seu filho, Eduardo Bolsonaro, em favor de pressões internacionais contra autoridades brasileiras e o próprio STF.

Integrantes do PL e aliados políticos avaliam que essa “morte digital” de Bolsonaro o fez perder a capacidade de pautar o debate público e mobilizar sua base de apoiadores, reduzindo o engajamento que antes era uma marca registrada de sua presença online. A notícia foi divulgada conforme informação divulgada por fontes jornalísticas. Conforme apurado, as últimas postagens do ex-presidente ocorreram em 17 de julho de 2025, compartilhando uma carta de apoio de Donald Trump.

A suspensão das visitas e a estratégia de comunicação de Bolsonaro

Recentemente, em 13 de maio, Alexandre de Moraes suspendeu o direito de visita do senador Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias. Essa decisão impede que o pré-candidato do PL à presidência se reúna com Jair Bolsonaro em um momento crucial da campanha eleitoral, focado na formação de alianças e definição de chapas.

Segundo Moraes, a restrição foi motivada pela divulgação, nas redes sociais, de uma carta manuscrita de Bolsonaro, publicada por Flávio após uma visita. Nesse documento, o ex-presidente designou o filho como seu “porta-voz” e conclamou os apoiadores a se unirem em torno da candidatura do senador, vista por ele como “a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência, e do empobrecimento”.

O ministro considerou que a visita teve uma finalidade distinta da autorizada, servindo como uma tentativa de contornar a proibição imposta a Jair Bolsonaro. Em sua decisão, Moraes afirmou que a “conduta irregular de Flávio Bolsonaro desrespeitou expressa vedação judicial e configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita”.

Histórico de descumprimentos e a prisão domiciliar

Esta não foi a primeira vez que o ministro Alexandre de Moraes apontou o descumprimento das restrições de redes sociais por parte de Bolsonaro. Em agosto do ano passado, outro episódio envolvendo Flávio Bolsonaro levou o ministro a entender que houve violação das medidas cautelares.

Na ocasião, durante uma manifestação no Rio de Janeiro, Flávio colocou Jair Bolsonaro em viva-voz para o público, apesar da proibição. O ex-presidente cumprimentou os presentes, afirmando que era “pela nossa liberdade, estamos juntos”. Ele ainda acrescentou: “Obrigado a todos, é pela nossa liberdade, pelo nosso futuro, pelo nosso Brasil. Sempre estaremos juntos”.

Para Alexandre de Moraes, essa manifestação pública caracterizou um descumprimento da ordem judicial. O fato serviu de fundamento para decretar a prisão domiciliar de Bolsonaro, antes mesmo da conclusão do julgamento sobre a trama golpista. O ministro escreveu que o ex-presidente “produziu dolosa e conscientemente material pré-fabricado para seus partidários continuarem a tentar coagir o STF e obstruir a Justiça”, e que o conteúdo foi divulgado posteriormente no Instagram por Flávio Bolsonaro.

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