Carlos Brandão: Governador do Maranhão Pede Investigação no STJ Após Afastamento de Sobrinho por Flávio Dino

Carlos Brandão: Governador do Maranhão Pede Investigação no STJ Após Afastamento de Sobrinho por Flávio Dino

Resumo

Carlos Brandão, governador do Maranhão, reivindica investigação no STJ, contestando atuação do STF em caso envolvendo seu sobrinho.

A defesa do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), emitiu uma nota oficial contestando a competência do Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o chefe do executivo estadual. A alegação central é que, por princípios constitucionais, governadores devem ser investigados no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para crimes comuns.

O protesto da defesa de Brandão surge após o afastamento de seu sobrinho, Daniel Brandão, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA). A decisão foi tomada pelo ministro Flávio Dino, do STF, no contexto de investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre um homicídio.

Segundo os advogados do governador, o sigilo imposto aos autos do processo, há cerca de um ano, tem impedido o acesso da defesa às informações, tornando o conhecimento dos fatos público apenas através da imprensa. Essa situação, argumentam, reforça a necessidade de que o caso tramitasse no STJ, o foro constitucionalmente adequado para governadores.

Defesa Cita Inconsistência e Incompetência do STF

Na nota oficial, a defesa de Carlos Brandão expressou preocupação com a condução de investigações sigilosas contra um governador fora do foro competente. “Independentemente da manifesta inconsistência das imputações, causa especial preocupação a circunstância de terem sido realizadas investigações sigilosas contra Governador de Estado fora do foro constitucionalmente competente”, afirma o comunicado.

A defesa também levantou a questão da garantia do juiz natural, um princípio fundamental do direito que assegura que ninguém será julgado por um tribunal que não tenha competência legal para tal. A instauração de investigações no STF, para a defesa, configuraria usurpação de competência constitucional.

Prerrogativa de Foro e Envolvimento de Senador

De acordo com os autos das decisões do ministro Dino, cujo sigilo foi recentemente levantado, o caso teria chegado ao STF em razão da prerrogativa de foro privilegiado do senador Weverton Rocha (PDT-MA). O senador é acusado de ter atuado junto ao STJ para dificultar as investigações e beneficiar Daniel Brandão.

Em coletiva de imprensa realizada na sexta-feira, o senador Weverton Rocha declarou manter relações “institucionais” com ministros do STF, sem detalhar a natureza dessas interações no contexto da investigação em questão.

Nota da Defesa Detalha Argumentos Jurídicos

A nota da defesa do governador Carlos Brandão detalha os argumentos jurídicos para a transferência do caso ao STJ. “A Constituição Federal atribui ao Superior Tribunal de Justiça competência para processar e julgar Governadores de Estado nos crimes comuns. A instigação e a supervisão, pelo Supremo Tribunal Federal, de investigação dirigida contra autoridade submetida à jurisdição originária do STJ configuram, portanto, usurpação de competência constitucional e violação da garantia fundamental do juiz natural”, pontua o comunicado.

A defesa também destacou a inobservância do sistema acusatório, argumentando que a Constituição Federal e o Código de Processo Penal reservam ao Ministério Público as funções de promover a persecução penal e requisitar diligências investigatórias. A nota ressalta que a Procuradoria-Geral da República (PGR) não referendou as investigações, apontando a incompetência do STF.

Por fim, a defesa reafirmou a confiança nas instituições e no Poder Judiciário, mas reiterou que nenhuma investigação pode se desenvolver fora dos limites de competência e procedimento estabelecidos pela Constituição da República, prometendo adotar todas as medidas legais cabíveis para restaurar as garantias constitucionais.

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